A trajetória histórica da República Popular da China rumo à sua reconstrução e revitalização nacional confunde-se com a própria formulação e amadurecimento do conceito estratégico das “quatro modernizações”. Um projeto que foi elaborado como um objetivo estrutural de longo prazo durante o complexo processo de construção do socialismo no país. A sua função primordial centrava-se em promover um desenvolvimento econômico e social que fosse capaz de retirar a nação de uma condição historicamente desvantajosa e elevá-la ao patamar de igualdade com as grandes potências globais. Para compreender a magnitude dessa ambição, é necessário retroceder aos momentos fundacionais do regime, quando as primeiras diretrizes de transformação começaram a ser delineadas pelas lideranças do Partido Comunista da China.
A gênese desse pensamento remonta aos debates ocorridos na Segunda Sessão Plenária do Sétimo Comitê Central do Partido Comunista da China, momento em que Mao Zedong estabeleceu com clareza o objetivo primordial de transformar a China em um país verdadeiramente socialista. Essa metamorfose exigia, fundamentalmente, uma mudança radical na matriz produtiva nacional, transitando de uma economia essencialmente agrícola e de subsistência para uma economia industrializada, robusta e autossuficiente. Com a fundação oficial da República Popular da China, as metas e os objetivos estratégicos voltados ao desenvolvimento nacional deixaram de ser apenas aspirações teóricas e tornaram-se gradualmente mais claros, nítidos e específicos para o Partido. Essa clareza programática permitiu o início e a sustentação de uma transformação econômica estrutural planejada e executada em grande escala por todo o território.
O amadurecimento institucional desse projeto ganhou contornos oficiais na metade da década de cinquenta, quando o conceito específico das “quatro modernizações” foi proposto pela primeira vez de maneira pública e formal. Esse marco ocorreu durante as deliberações da Primeira Sessão da Primeira Assembleia Popular Nacional, realizada no mês de setembro de 1954, consolidando a ideia de que o avanço chinês dependia de reformas integradas. No entanto, foi na Primeira Sessão da Terceira Assembleia Popular Nacional, em dezembro de 1964, que o primeiro-ministro Zhou Enlai divulgou de forma ampla e detalhada, em seu relatório sobre o trabalho do governo, a essência definitiva desse plano quadripartite. O documento explicitava o compromisso inabalável de transformar a China em uma potência socialista por meio da modernização sistemática da agricultura, da indústria, da defesa nacional e da ciência e tecnologia.
A meta apresentada por Zhou Enlai estipulava que tais avanços deveriam ser concretizados dentro de um prazo razoável, almejando não apenas o crescimento interno, mas também alcançar e superar os mais altos padrões internacionais de eficiência e produção. Ao revisar e modificar pessoalmente esse relatório governamental, Mao Zedong introduziu uma reflexão crucial que definiria o modelo de desenvolvimento chinês dali em diante. Ele enfatizou categoricamente que a China não deveria seguir de forma passiva a rota tradicional do desenvolvimento industrial percorrida pelo mundo ocidental. Para o líder, trilhar esse caminho convencional significaria aceitar uma posição subordinada de eterno atraso, forçando o povo a escalar dolorosamente e passo a passo os degraus que as outras nações já haviam superdo há muito tempo.
Diante desse diagnóstico, a orientação de Mao Zedong foi a de romper definitivamente com as convenções estabelecidas e tentar adotar de forma audaciosa as tecnologias mais avançadas disponíveis no período. A estratégia central consistia em queimar etapas históricas por meio da inovação e da mobilização coletiva, tendo como objetivo final a transformação da China em um país socialista moderno e poderoso em um futuro próximo. A divulgação desse relatório modificado representou a primeira vez que o Partido Comunista da China propôs formalmente a toda a nação, de maneira unificada e abrangente, os objetivos e as tarefas das “quatro modernizações”. A partir daquele momento histórico, a execução prática dessas metas tornou-se o eixo estratégico central para o desenvolvimento do Estado sob a firme liderança política do Partido Comunista da China.
O projeto das “quatro modernizações” converteu-se em uma meta extremamente ambiciosa e mobilizadora para o povo chinês de todos os grupos étnicos, unificando a sociedade em torno de um propósito comum de soberania. Fortalecer a agricultura significava garantir a segurança alimentar de uma população massiva; modernizar a indústria e a defesa nacional assegurava a proteção contra pressões externas; e investir em ciência e tecnologia servia como o motor propulsor para que todas as outras áreas pudessem prosperar continuamente. Esse alicerce histórico estabelecido nas décadas de 1950 e 1960 pavimentou o caminho para as reformas subsequentes que moldaram o panorama contemporâneo do país. Portanto, a compreensão do atual processo de revitalização e reconstrução nacional da China exige o reconhecimento profundo desse esforço pioneiro, que transformou a busca pela modernização em um elemento indissociável da identidade e do destino da sociedade socialista chinesa.
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