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A fundação do Partido Comunista da China (Série A História da Reconstrução da China)

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No início da década de mil novecentos e vinte, a China encontrava-se mergulhada em uma das crises mais severas de sua trajetória milenar, fragmentada internamente por conflitos de senhores da guerra e constantemente pressionada pela dominação e pelas humilhações impostas pelas potências imperialistas estrangeiras. Foi precisamente nesse cenário de extrema vulnerabilidade e urgência social que as sementes da transformação começaram a brotar, impulsionadas pela necessidade imperiosa de salvação nacional e de reconstrução soberana do Estado.

O nascimento do Partido Comunista da China (PCCh) não ocorreu de maneira isolada, mas foi o fruto maduro da integração orgânica entre a teoria científica do marxismo-leninismo e as lutas crescentes dos movimentos de trabalhadores chineses que clamavam por justiça. Esse processo de conscientização e mobilização de massas ganhou um vigor sem precedentes sob o impacto histórico da Revolução de Outubro na Rússia, ocorrida no ano de 1917 e liderada por Vladimir Lenin, que ecoou globalmente e demonstrou a viabilidade prática da tomada do poder pelo proletariado. A vitória bolchevique cruzou as fronteiras e trouxe o marxismo para o território chinês, oferecendo uma nova perspectiva ideológica e apontando um caminho claro de emancipação, o que propiciou uma escolha fundamental para o povo em sua luta contra a opressão.

Paralelamente, o Movimento de 4 de Maio de 1919 funcionou como um verdadeiro catalisador político e intelectual, ocasião em que a classe trabalhadora chinesa emergiu pela primeira vez no cenário público como uma força política independente, organizada e consciente de seu papel central na transformação da sociedade. Diante dessa efervescência e após profundas reflexões sobre os rumos do país, intelectuais proeminentes da época, como Chen Duxiu, Li Dazhao, Mao Zedong e Zhou Enlai, abandonaram antigas concepções reformistas e mudaram de forma convicta sua postura em direção ao socialismo científico. Esses líderes passaram a defender fervorosamente o marxismo e a abraçar o comunismo como a única via capaz de reestruturar a pátria, fortalecendo a fundação de classe e consolidando uma base ideológica sólida que tornou inevitável a criação do partido.

Esta fotografia é um registro raro e de valor inestimável para os pesquisadores da história da República Popular da China e do Partido Comunista Chinês (PCC). Na fila de trás, da esquerda para a direita, temos líderes experientes: Chen Yun, cujas diretrizes econômicas moldariam a China moderna; Bo Gu, uma figura central no início do PCC; Peng Dehuai, um renomado general; Liu Shaoqi, que se tornaria uma figura política proeminente; Zhou Enlai, o diplomata de prestígio; e Zhang Wentian, um intelectual do partido.
Na fila da frente, sentados, a imagem revela: Kang Sheng, um mestre da segurança e inteligência; Mao Zedong, cujo carisma e liderança emergiram com força durante a Longa Marcha; Wang Jiaxiang, um estratega militar e político; Zhu De, o lendário comandante do Exército Vermelho; Xiang Ying, um líder militar e político; e Wang Ming, que representava uma facção ideológica rival.

O avanço prático dessa organização intelectual e operária materializou-se inicialmente em agosto de mil novecentos e vinte, quando o primeiro grupo comunista da China foi formalmente estabelecido na cidade de Shanghai. Logo em seguida, inspiradas por esse núcleo pioneiro, outras organizações do período inicial foram sendo criadas em centros urbanos estratégicos como Pequim, Wuhan, Changsha, Guangzhou e Jinan, expandindo-se inclusive para o exterior através de estudantes e expatriados que se organizaram no Japão e na França.

Todo esse movimento preparatório culminou na histórica data de 23 de julho de 1921, com a abertura do Primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista da China, realizado de forma estritamente secreta nos limites da Concessão Francesa de Shanghai, na então Rue Wantz, número 106. O encontro decisivo contou com a presença de treze delegados enviados pelas organizações partidárias de todas as regiões do país e também do Japão, representando um total superior a cinquenta membros engajados na causa revolucionária em todo o território nacional.

A segurança do congresso enfrentou sérios riscos quando a polícia da Concessão Francesa descobriu e vasculhou o local das reuniões, mantendo uma vigilância constante e opressiva sobre o ambiente. Para escapar do perigo iminente de prisão, os delegados começaram a deixar a cidade em pequenos grupos e, com notável audácia e criatividade, transferiram a sessão de encerramento do último dia para um barco que flutuava nas águas tranquilas do Lago Sul, localizado em Jiaxing, na província de Zhejiang.

Naquela assembleia flutuante, o Primeiro Congresso Nacional adotou formalmente o nome unificado de Partido Comunista da China e aprovou o seu primeiro programa político, que estabelecia diretrizes claras e radicais para a atuação da nova organização. Entre os objetivos centrais delineados estavam a necessidade de derrubar o capitalismo, a manutenção rigorosa da ditadura do proletariado, a eliminação completa da propriedade privada capitalista e o compromisso de cooperar ativamente com a Internacional Comunista. O Congresso determinou também que as ações prioritárias do partido deveriam focar de maneira intensiva no movimento dos trabalhadores, o que seria alcançado através da organização sistemática de sindicatos combativos e da educação política das massas operárias urbanas e rurais.

A criação do PCCh constituiu, portanto, um evento que representa o verdadeiro apogeu do progresso social e do desenvolvimento revolucionário na história moderna da China. Ao estabelecer uma liderança firme e fundamentada na ciência social, o partido forneceu um esteio para o desenvolvimento futuro do povo chinês, conferindo um impulso totalmente renovado e estratégico à dinâmica da revolução nacional. A fundação da organização mudou profundamente o curso do desenvolvimento chinês, assegurando a soberania, transformando o destino de sua imensa população e alterando, de forma permanente e significativa, toda a tendência da política e da história do mundo contemporâneo.

1 COMENTÁRIO

  1. Ótima iniciativa. Quanto mais eu leio mais eu percebo o quanto ignorante eu sou sobre a China. Parabéns pelo site e pela proposta de retratar a realidade chinesa sem preconceitos e sob a ótica do Sul Global.

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