Este novo plano surge como um desdobramento direto da implementação de um regulamento nacional para promover a leitura pública, melhorar os serviços de leitura no campo, e incentivar que as salas passem a funcionar como espaços comunitários multifuncionais, agregando atividades culturais diversas, programas educacionais e outros serviços públicos no mesmo local.

Pequim — O governo da China anunciou o lançamento de um novo e ambicioso plano de ação que visa revitalizar as bibliotecas rurais e modernizar a rede nacional de salas de leitura no campo. Divulgado em conjunto pelo Departamento de Propaganda do Comitê Central do Partido Comunista da China, pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, o projeto busca reestruturar o atendimento cultural sem focar em construções do zero. Em vez de iniciar obras em larga escala, as diretrizes enfatizam o aumento da qualidade e da eficiência das instalações que já estão em funcionamento nas comunidades.

Os governos locais foram expressamente orientados a evitar projetos de demolição desnecessários, rejeitar abordagens padronizadas que desrespeitem as particularidades de cada região e abster-se de erguer estruturas meramente ilustrativas com pouco valor prático para o dia a dia da população. Outro ponto central do documento é o apelo às autoridades para que reduzam os encargos burocráticos sobre as organizações comunitárias de base, permitindo que o foco permaneça na própria atividade cultural.

Este novo plano surge como um desdobramento direto da implementação de um regulamento nacional para promover a leitura pública, que entrou em vigor em fevereiro deste ano e forneceu o quadro legal necessário para a expansão desses serviços essenciais. Historicamente, as salas de leitura rurais foram criadas para descentralizar a cultura, garantindo livros gratuitos e espaços comunitários nas aldeias. No entanto, os rápidos avanços na tecnologia da informação e a profunda mudança nos hábitos de leitura dos cidadãos acabaram expondo sérias deficiências no sistema atual.

Funcionários do departamento de publicidade reconheceram que as estruturas sofrem com uma distribuição desigual pelo território, acervos de livros severamente desatualizados e serviços que já não atendem às demandas reais dos moradores locais. Para reverter esse cenário, a nova estratégia dita que as salas de leitura com bom desempenho receberão maior apoio financeiro e serão incentivadas a expandir suas funções. Por outro lado, aquelas instalações que apresentam uso limitado ou infraestrutura inadequada não serão simplesmente fechadas, mas sim integradas a espaços culturais vizinhos para otimizar os recursos públicos disponíveis.

O plano também incentiva que as salas passem a funcionar como espaços comunitários multifuncionais, agregando atividades culturais diversas, programas educacionais e outros serviços públicos no mesmo local. A transição para o ambiente virtual será uma das prioridades, e os serviços de leitura digital serão fortalecidos por meio da integração de acervos impressos tradicionais com recursos online. Desse modo, os moradores do campo poderão acessar livros e outros materiais educativos por meio de bibliotecas digitais e plataformas de áudio, utilizando inclusive códigos QR espalhados pelas salas para obter acesso instantâneo ao conteúdo recomendado.

Além do suporte tecnológico, os governos locais receberam o incentivo de desenvolver marcas de leitura rurais únicas, organizando eventos que reflitam diretamente as tradições locais e os interesses específicos de cada comunidade. De acordo com as diretrizes de Pequim, todas as reformas futuras deverão ser estritamente adaptadas às condições de cada território, levando em consideração as diferenças de população, as matrizes culturais e os níveis de desenvolvimento econômico locais.

O plano de ação faz questão de enfatizar que os próprios moradores rurais devem desempenhar um papel central na definição e na escolha dos serviços de leitura oferecidos. Segundo as autoridades governamentais, o objetivo final é construir um sistema robusto que se adapte às mudanças demográficas contemporâneas, atenda às reais necessidades do trabalhador rural e acompanhe os avanços tecnológicos, reduzindo drasticamente a histórica lacuna cultural existente entre as áreas urbanas e as regiões rurais do país.

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