Início A História da Reconstrução da China O Espírito do Barco Vermelho (Série A História da Reconstrução da China)

O Espírito do Barco Vermelho (Série A História da Reconstrução da China)

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A história da China moderna e a trajetória de sua profunda transformação política encontram um de seus marcos mais emblemáticos nas águas calmas do Lago Sul, em Jiaxing, na província de Zhejiang. Foi nesse cenário que, no início de agosto de 1921, realizou-se o Primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCCh), um evento que mudaria o destino da nação asiática. A modesta embarcação que abrigou aquela reunião histórica passou a ser carinhosamente conhecida como o Barco Vermelho, tornando-se o símbolo definitivo do nascimento do partido e do início da revolução chinesa.

A História

Há cem anos, o primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista da China foi concluído em um barco vermelho no Lago Nanhu, na cidade de Jiaxing, província de Zhejiang. Foi ali que foi anunciada a fundação do PCC. Foi o ponto de partida da jornada centenária do Partido e também o início de grandes mudanças para a China e seu povo.

Em 1915, uma geração de intelectuais, incluindo Chen Duxiu e Lu Xun, lançou o Movimento da Nova Cultura numa tentativa de modernizar a nação. Li Dazhao, um pioneiro do movimento comunista, tornou-se o porta-estandarte do marxismo na China.

Em março de 1920, Chen e Li, um membro fundador do PCC que ajudou a pavimentar o caminho para a revolução chinesa e o Movimento Quatro de Maio, iniciaram institutos de pesquisa da teoria marxista em Pequim e Xangai. Os institutos gradualmente estabeleceram contato com pensadores em províncias e locais como Hubei, Hunan, Zhejiang, Shandong, Guangdong e Tianjin e começaram a planejar a fundação do Partido.

Em junho de 1921, dois representantes da organização Internacional Comunista chegaram a Xangai e aconselharam que um congresso de representantes do partido fosse realizado o mais breve possível.

Em 23 de julho de 1921, o primeiro Congresso Nacional do PCC foi realizado no número 108 da Rua Wangzhi (atual número 76 da Rua Xingye), em Xangai. Treze delegados, incluindo Mao Zedong e Dong Biwu, participaram da reunião.

De 23 a 30 de julho, o congresso realizou seis sessões. No entanto, em 30 de julho, a reunião teve que ser suspensa quando a polícia, em busca do local na “Concessão Francesa”, se aproximou perigosamente. O congresso foi rapidamente transferido para Jiaxing, onde foi retomado para um último dia no famoso barco vermelho no Lago Nanhu.

Fundação

Foi no barco vermelho que o congresso, após adotar o programa do Partido e eleger uma equipe de gestão central, proclamou a fundação do PCC. Para os mais de 91 milhões de membros do Partido atualmente, o Lago Nanhu é mais do que apenas uma atração turística — é o berço físico do PCC.

Esse local de fundação não apenas testemunhou o surgimento de uma nova força política, mas também deu origem a uma filosofia que moldaria as ações das gerações futuras, o chamado Espírito do Barco Vermelho. Em junho de 2005, Xi Jinping, que na época atuava como secretário do Comitê Provincial do Partido de Zhejiang, formalizou a importância desse legado ao propor uma definição clara para esse ideal coletivo. Segundo sua conceituação, esse princípio representa a essência do pioneirismo e da inovação, a força da fé e da perseverança, além do compromisso inabalável com a dedicação e o serviço público. Ao resgatar essa memória, buscou-se explicar a própria missão e a aspiração original que moveram os primeiros comunistas chineses no alvorecer de sua jornada.

O Espírito do Barco Vermelho

O Espírito do Barco Vermelho acendeu a chama revolucionária em todo o país e estabeleceu os fundamentos espirituais que guiaram o partido em momentos cruciais de sua história. Ele serve como a raiz que define e conecta outros grandes marcos ideológicos posteriores, como o Espírito de Jinggangshan, o Espírito da Longa Marcha, o Espírito de Yan’an e o Espírito de Xibaipo. Toda essa herança conceitual constitui a riqueza intangível do Partido Comunista da China, fornecendo a resiliência necessária para superar os inúmeros obstáculos encontrados no caminho do progresso nacional. Ao longo de décadas, essa inspiração permitiu aos comunistas chineses defender a causa do socialismo e liderar de forma contínua os processos de revolução, crescimento econômico e reforma institucional na China.

A relevância contemporânea desse símbolo foi reafirmada de maneira marcante em 31 de outubro de 2017, apenas uma semana após a conclusão do 19° Congresso Nacional do PCCh. Naquela ocasião, Xi Jinping e os demais membros do Birô Político Central realizaram uma visita oficial ao local do Primeiro Congresso Nacional em Shanghai e ao Barco Vermelho no Lago Sul. Diante da histórica embarcação, os líderes chineses contemplaram o desenvolvimento do país e renovaram o juramento solene que fizeram ao ingressar no partido. Naquela oportunidade, Xi Jinping declarou explicitamente que a pequena embarcação carregava a chama inicial da Revolução Chinesa e que ela continuava a guiar o partido em sua jornada gloriosa. Com esse gesto, reforçou-se o entendimento de que o Espírito do Barco Vermelho não pertence apenas ao passado, mas deve ser ativamente transportado e vivenciado na nova era do desenvolvimento chinês.

O Barco Vermelho no Lago Nanhu, em Jiaxing, província de Zhejiang, é um ícone na história do Partido Comunista Chinês. 

1 COMENTÁRIO

  1. Muito boa a iniciativa de contar a história chinesa. Quanto mais leio o conteúdo mais percebo o quanto ignorante e desinformado sobre a China eu sou. Parabéns pela iniciativa!

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