Em um movimento para blindar seu mercado de trabalho contra instabilidades globais, o governo da China anunciou recentemente um abrangente plano de ação composto por 18 pontos fundamentais, desenhados especificamente para estabilizar o nível de emprego e impulsionar a renda da população. Intitulado “Plano de Ação para Estabilizar o Emprego, Expandir a Capacidade e Melhorar a Qualidade”, o documento foi formalmente aprovado no final de abril pelo grupo dirigente do Conselho de Estado encarregado da promoção do emprego. O texto oficial coloca a ocupação profissional no centro das atenções governamentais, classificando o trabalho como o aspecto mais elementar e decisivo para a subsistência e o bem-estar das pessoas. Com essa premissa, as novas diretrizes estabelecem um arcabouço de proteção voltado a mitigar os impactos negativos decorrentes de choques externos, como as persistentes guerras comerciais e as crescentes tensões geopolíticas internacionais.
Uma das principais frentes desse programa concentra-se no apoio robusto às indústrias nacionais que são diretamente afetadas pelo cenário global adverso. O governo central identificou esses setores como motores indispensáveis para a criação de novos postos e determinou a extensão de benefícios cruciais, como os reembolsos de contribuições voltadas ao seguro-desemprego, a concessão de subsídios para o treinamento profissional e a liberação de verbas específicas para a expansão de vagas. No plano macroeconômico, a estratégia chinesa visa reduzir a dependência das rotas comerciais tradicionais dominadas pelas potências ocidentais. Para alcançar esse objetivo, as autoridades locais planejam otimizar a utilização de grandes eventos de negócios, como a tradicional Feira de Importação e Exportação da China, além de aprofundar de forma significativa as parcerias econômicas estruturadas ao longo da Iniciativa Cinturão e Rota.
O novo ordenamento prevê ainda o incentivo a contratações transfronteiriças focadas em setores de alto valor agregado, abrangendo as áreas de pesquisa, projeto e inspeção de qualidade, o que sinaliza uma clara adaptação às recentes transformações observadas no segmento de terceirização global. Visando uma atuação preventiva, o plano institui um modelo de monitoramento contínuo para rastrear em tempo real as oscilações nas contratações dentro de regiões e setores considerados estratégicos, criando planos de contingência bem definidos para assegurar respostas rápidas e eficazes em momentos de crise econômica. Além de combater as ameaças externas, as novas políticas governamentais apostam firmemente no fortalecimento da manufatura interna e na integração de tecnologias de última geração para abrir novos horizontes no mercado de trabalho.
As autoridades assumiram o compromisso de preservar uma parcela razoável de empregos industriais tradicionais e de coordenar a transferência ordenada de parques industriais em direção às regiões do centro, oeste e nordeste do país asiático, equilibrando o desenvolvimento regional. Paralelamente, haverá o lançamento da ambiciosa iniciativa denominada “Inteligência Artificial Plus”, criada para catalisar a transição digital no ambiente fabril e, consequentemente, gerar uma forte demanda por novas profissões tecnológicas, como treinadores de inteligência artificial e especialistas em rotulação de dados. Outros setores listados como pilares para a absorção de mão de obra incluem os nichos de energia limpa, materiais de engenharia avançados e os inovadores projetos voltados para a infraestrutura de baixas altitudes. Pensando na transição profissional, o governo desenhou programas de requalificação para preparar os operários diante da automação.
Com o propósito de fomentar um ciclo econômico virtuoso de elevação do rendimento doméstico e aquecimento do consumo interno, o plano engloba o estímulo à economia local por meio da expansão de espaços voltados ao turismo cultural. Serão priorizadas atividades nas áreas de artes cênicas, eventos gastronômicos, práticas esportivas e lazer focado em atividades de inverno. No segmento habitacional, os projetos de renovação nas cidades e as construções de novas infraestruturas urbanas serão fortemente incentivados para manter aquecido o mercado de trabalho na construção civil, contando com o suporte de um programa diferenciado de crédito bancário. Na esfera dos serviços sociais e de cuidado, o plano de ação estende de forma significativa a rede de atendimento voltada ao suporte de idosos e crianças, incluindo o desenvolvimento de um pioneiro sistema de certificação e qualificação para cuidadores.
Reconhecendo as novas dinâmicas sociais e laborais, o plano também abarca a expansão de um programa piloto de seguro contra acidentes de trabalho destinado a proteger os profissionais da chamada economia gig, com ênfase em motoristas que atuam por meio de aplicativos de transporte de passageiros. O documento estabelece ainda uma fiscalização mais rigorosa sobre agências de recrutamento que atuam de forma ilegal, intensifica o combate aos atrasos no pagamento de salários e otimiza os mecanismos internos de reajuste do salário mínimo, além de desburocratizar o registro de novas companhias e o acesso aos auxílios para desempregados. A partir de agora, grandes empreendimentos econômicos e novas políticas públicas passarão obrigatoriamente por avaliações prévias de impacto no emprego, consolidando a estabilidade laboral como uma prioridade transversal de governo.
A implementação dessas regras ganha urgência diante do cenário demográfico de 2026, ano em que o Ministério da Educação prevê a chegada recorde de 12,7 milhões de novos graduados universitários ao mercado, representando um acréscimo expressivo de 480 mil jovens em comparação ao período anterior. Para absorver esse contingente qualificado, o governo determinou que as corporações estatais elevem suas metas de contratação de recém-formados em mais de cinco pontos percentuais no comparativo anual. Todo esse conjunto de medidas está inserido no modelo de desenvolvimento “favorável ao emprego”, diretriz introduzida formalmente no 15º Plano Quinquenal da China, correspondente ao intervalo de 2026 a 2030, e chancelada no Relatório de Trabalho do Governo apresentado neste ano.
Anteriormente, durante os encontros do legislativo nacional ocorridos em março, a Ministra dos Recursos Humanos e da Segurança Social, Wang Xiaoping, já havia anunciado uma grande mobilização institucional voltada a dar sustentabilidade, expandir e qualificar as vagas de trabalho em solo chinês. Na ocasião, a ministra detalhou ações de suporte a setores intensivos em uso de mão de obra, incluindo a hotelaria, a construção civil e o comércio exterior, reforçando a importância de capturar o potencial de contratação existente na manufatura de ponta e na internet. Wang Xiaoping destacou que o ministério conduz estudos avançados para maximizar a contribuição da inteligência artificial no surgimento de novos empregos, alinhando de maneira inclusiva a inovação tecnológica e o sustento das famílias. Por fim, a China consolidou a meta de gerar mais de 12 milhões de novos postos de trabalho urbanos ao longo de 2026, patamar que converge com a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto estipulada entre 4,5% e 5% para o presente ano econômico.
As 18 Medidas da China para Estabilizar o Emprego, Metas e Responsáveis
| Eixo de Ação / Medidas | Objetivos Principais | Prazos, Metas e Dados (2026) | Responsáveis Identificados |
| Proteção contra Choques Externos • Reembolso de seguro-desemprego. • Subsídios para treinamento em setores afetados. • Feiras comerciais e expansão na rota Cinturão e Rota. | • Proteger o mercado de trabalho de guerras comerciais e tensões geopolíticas. • Explorar mercados alternativos ao Ocidente. | • Mitigação de riscos em tempo real através de monitoramento contínuo e planos de resposta rápida. | • Grupo dirigente do Conselho de Estado para a promoção do emprego. |
| Inovação e Indústria Tecnológica • Iniciativa “Inteligência Artificial Plus”. • Fomento a energias limpas, materiais avançados e infraestrutura de baixa altitude. • Transferência industrial ordenada. | • Acelerar a transformação digital das fábricas. • Criar novas funções (treinadores de IA, rotuladores de dados). • Manter parcela razoável de empregos manufatureiros no centro, oeste e nordeste. | • Integração tecnológica e requalificação profissional para evitar a perda de empregos tradicionais. | • Ministério dos Recursos Humanos e da Segurança Social (junto a órgãos de tecnologia). |
| Estímulo à Renda e Demanda Interna • Incentivo ao turismo cultural (artes, esportes, gastronomia e inverno). • Renovação urbana e novas infraestruturas. | • Impulsionar o consumo familiar. • Gerar empregos na construção civil através de uma linha especial de empréstimos. | • Fortalecimento do mercado consumidor interno através de um ciclo virtuoso de renda. | • Órgãos de planejamento urbano, cultura e instituições financeiras de fomento. |
| Integração de Jovens Graduados • Orientação para que empresas estatais aumentem o recrutamento nas universidades. | • Absorver o volume histórico de novos profissionais que entram no mercado de trabalho. | • Meta: Aumentar em mais de 5% o recrutamento por estatais. • Contexto: Absorver o recorde de 12,7 milhões de graduados (alta de 480 mil). | • Ministério da Educação e Empresas Estatais. |
| Regulação e Proteção Social • Piloto de seguro contra acidentes para a economia gig. • Sistema de qualificação para cuidadores. • Combate a atrasos salariais e agências ilegais. | • Proteger motoristas de aplicativos e entregadores. • Ampliar o atendimento a idosos e crianças. • Garantir a estabilidade laboral como prioridade transversal. | • Implementação de avaliações obrigatórias de impacto no emprego para todos os grandes projetos. | • Ministério dos Recursos Humanos e da Segurança Social. |
| Metas Macroeconômicas Gerais • Ajuste do salário mínimo e simplificação para abertura de empresas. | • Alinhar o progresso tecnológico com a melhoria do bem-estar social (15º Plano Quinquenal 2026-2030). | • Meta: Criar mais de 12 milhões de novos empregos urbanos. • Contexto: Apoiar a meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% para o ano. | • Governo Central e Ministério dos Recursos Humanos e da Segurança Social. |

