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China reformula regras do mercado de energia à vista para integrar renováveis e baterias

Com regras unificadas para o mercado spot, Pequim avança na otimização da rede elétrica e consolida a infraestrutura necessária para a neutralidade de carbono, alinhando o setor ao 15º Plano Quinquenal e às suas metas de longo prazo.

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Iniciou-se na China uma reformulação regulatória relevante para o projeto de transição energética e para o funcionamento da infraestrutura elétrica do país. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão de planejamento econômico do governo chinês, apresentou uma nova proposta de regras para o mercado de energia à vista, conhecido como mercado spot. A iniciativa moderniza a integração de fontes renováveis e sistemas de armazenamento em bateria em todo o território nacional, substituindo as diretrizes provisórias vigentes por um modelo estruturado.

O mercado à vista é o ambiente de negociação no qual a eletricidade é comercializada em tempo real ou no dia anterior, com preços ajustados conforme as oscilações de oferta e demanda. O grande desafio das fontes solar e eólica nesse sistema sempre foi a intermitência, já que a produção varia de acordo com as condições climáticas. Essa volatilidade gera períodos de excesso de geração em momentos de baixo consumo e gargalos de suprimento nos horários de pico.

A principal mudança trazida pela proposta regulatória é a permissão para a participação conjunta de usinas geradoras e sistemas de armazenamento em bateria instalados no mesmo local como uma única entidade comercial. Anteriormente, geradores e ativos de armazenamento operavam de forma segregada no mercado, submetidos a regras e liquidações independentes. Com a unificação da estratégia operacional, uma usina eólica ou solar pode planejar propostas de venda e cronogramas de carga e descarga de baterias de maneira coordenada, ajustando a entrega de eletricidade de acordo com as variações de preço ao longo do dia.

Essa dinâmica permite aos operadores armazenar a energia nos momentos de sobreoferta e menores custos, descarregando-a na rede durante os períodos de maior demanda e preços elevados. Além de otimizar a receita das usinas, o armazenamento acoplado reduz custos com desequilíbrios entre a geração prevista e a entregue, diminuindo gargalos no sistema de transmissão. A norma também estende a definição de novos participantes no mercado para incluir usinas virtuais, microrredes inteligentes e agregadores de carga.

O modelo proposto adota a precificação marginal locacional para refletir de maneira precisa tanto o equilíbrio de mercado quanto as limitações físicas das linhas de transmissão. O despacho em tempo real passa a ser ajustado em intervalos de cinco a quinze minutos, conferindo maior precisão à gestão da rede. A estrutura visa integrar o mercado spot aos contratos de longo prazo e aos serviços ancilares, essenciais para garantir a estabilidade da frequência elétrica.

A iniciativa se conecta de forma direta à visão de desenvolvimento de longo prazo do governo chinês, funcionando como a infraestrutura regulatória indispensável para ancorar as meta-diretrizes de transição energética do país. A China comprometeu-se publicamente a atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060 — metas conhecidas no planejamento estatal como o compromisso do “Duplo Carbono”. No entanto, a expansão acelerada de capacidade instalada de painéis solares e turbinas eólicas ocorrida nos últimos anos demonstrou que a substituição de combustíveis fósseis não depende apenas do aumento da geração limpa, mas sobretudo da capacidade da rede elétrica em absorver essa eletricidade com eficiência e estabilidade financeira.

Nesse contexto, a modernização do mercado à vista servirá como uma das espinhas dorsais da política econômica do 15º Plano Quinquenal (2026-2030) (中華人民共和國國民經濟和社會發展第十五個五年規劃綱要 — Zhōnghuá Rénmín Gònghéguó Guómín Jīngjì hé Shèhuì Fāzhǎn Dì Shíwǔ gè Wǔnián Guīhuà Gāngyào). Se nos planos anteriores o foco esteve concentrado na massificação de investimentos em infraestrutura e na industrialização de tecnologias verdes, o novo ciclo quinquenal prioriza a otimização de mercado, a maturidade operacional e a eficiência sistêmica. Ao permitir que ativos de armazenamento e geração limpa compitam e precifiquem sua entrega em tempo real, Pequim cria mecanismos de incentivo baseados em preço para atrair capital privado e estatal rumo à modernização das redes regionais.

Além de garantir a estabilidade do fluxo elétrico interno, a consolidação desse mercado unificado de eletricidade fortalece a posição geopolítica e econômica da China. Ao estruturar uma arquitetura regulatória capaz de gerir com sucesso a maior rede integrada de energias renováveis do planeta, o país não apenas viabiliza sua própria soberania energética, como estabelece um padrão regulatório de referência global para a integração de sistemas de baterias e redes inteligentes em larga escala.

Fonte: ESS-NEWS.COM

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