Início A História da Longa Marcha O Espírito da Longa Marcha (長征精神)

O Espírito da Longa Marcha (長征精神)

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A epopeia histórica da Longa Marcha (长征 – Chángzhēng) (1934-1936), na qual o Exército Vermelho percorreu cerca de 25 mil li (12.500 quilômetros) sob condições extremas, consolidou-se como um dos fundamentos da identidade política e cultural do Partido Comunista da China (PCCh). No contexto da série sobre os chamados “espíritos chineses”, o Espírito da Longa Marcha (長征精神 – Chángzhēng Jīngshén) emerge não apenas como um registro de superação militar, mas como um gene espiritual e uma reserva de força moral indispensável para a sociedade chinesa contemporânea.

As conotações do Espírito da Longa Marcha estruturam-se em cinco eixos centrais definidos pela tradição política e reafirmados pela liderança de Xi Jinping. O primeiro eixo é a primazia dos interesses do povo e da nação acima de tudo, sustentada pela fé inabalável na vitória da causa justa. Durante a marcha, o sacrifício de vidas humanas — com estimativas históricas apontando que, na rota do Primeiro Exército de Frente, um soldado tombou em média a cada 300 metros — foi respaldado pela convicção ideológica de que o sofrimento temporário abriria caminho para a libertação nacional.

O segundo eixo é o heroísmo revolucionário de não temer dificuldades ou perigos e estar disposto ao sacrifício supremo. Esse traço manifestou-se na travessia de barreiras naturais brutais, como as montanhas nevadas de altitude superior a 4.000 metros e as pradarias pantanosas, além de combates decisivos como a Batalha do Rio Xiangjiang, a travessia do Rio Jinsha e a tomada da Ponte Luding. Exemplo dessa determinação foi a conduta de comandantes como Chen Shuxiang, que preferiram a morte ao cativeiro.

O terceiro elemento fundamenta-se na independência, autossuficiência e busca da verdade nos fatos. A Conferência de Zunyi, realizada em janeiro de 1935, representou um ponto de virada histórico no qual o PCCh resolveu seus problemas internos de liderança e estratégia militar de forma autônoma, sem a tutela da Comintern, corrigindo desvios dogmáticos e estabelecendo a liderança de Mao Tsé-Tung.

A quarta dimensão abrange a disciplina rigorosa, a visão da situação geral e a coesão interna, princípios que permitiram ao exército superar dissensões internas e manter a unidade organizacional ao longo da transferência estratégica. Por fim, o quinto pilar traduz-se na aliança visceral com a população civil, sintetizada na célebre história da “meia colcha” na vila de Shazhou — na qual soldados dividiram seu único cobertor com uma camponesa — e no juramento de irmandade no Lago Yihai com a etnia Yi, evidenciando que o apoio popular foi a garantia da sobrevivência do movimento.

A importância histórica da Longa Marcha reside na transformação de uma retirada estratégica forçada, decorrente do fracasso da quinta campanha de contra-cerco do Kuomintang, em um manifesto político propagador dos ideais revolucionários. A jornada permitiu conectar a sobrevivência do Partido à causa do combate à agressão japonesa, deslocando a base revolucionária para o norte de Shaanxi (Wuqi e Yan’an) e assentando as bases para a fundação da República Popular da China em 1949.

A transição desse legado para a governança moderna reflete-se na institucionalização de diretrizes de austeridade, ética pública e combate intransigente à corrupção. A implementação de políticas rígidas de conduta administrativa, a consolidação da auto-revolução partidária e a aplicação do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era atuam como o farol ideológico que busca manter a coesão ideológica e o vigor organizacional em meio às complexidades do século XXI.

Na sociedade chinesa atual, o Espírito da Longa Marcha é uma força de inspiração moral e um imperativo de mobilização nacional. Sob o conceito de que “Cada geração tem sua própria Longa Marcha, e cada geração deve completar bem a sua própria Longa Marcha“, a liderança chinesa resgata essa herança para motivar a população a enfrentar os desafios contemporâneos.

Na esfera socioeconômica, os territórios históricos que outrora serviram de rotas e bases revolucionárias — como Ganzhou, Guizhou, Ningxia e Shaanxi — tornaram-se vitrines vivas de transformação social. A superação da pobreza extrema nessas regiões, aliada ao desenvolvimento do turismo vermelho, à agricultura sustentável e à modernização das infraestruturas viárias, é apresentada pelo Estado como a materialização prática da promessa de prosperidade compartilhada feita às populações locais durante os anos de provação.

No plano militar, o Exército Popular de Libertação continua a extrair da Longa Marcha a sua doutrina primária de lealdade e prontidão operacional. A herança política forjada na reorganização de Sanwan e na Conferência de Gutian reafirma a liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas, enquanto o espírito de persistência e disciplina orienta a preparação das tropas para defender a soberania nacional e os interesses estratégicos do país em ambientes de alta exigência e complexidade tecnológica.

Essa ilustração retrata o momento em que a tropa descobre um soldado congelado até a morte por vestir apenas roupas velhas e finas sob o frio extremo. Ao procurar o responsável pelos suprimentos e fardamentos para exigir explicações sobre a falta de agasalhos, o comandante é informado, com lágrimas nos olhos dos companheiros, de que o próprio homem morto pelo frio era o chefe de suprimentos militares. Ele preferiu entregar todos os casacos quentes aos seus camaradas a guardar um para si mesmo.
TRADUÇÃO: “A consciência parece invisível, mas no momento crucial manifesta um poder grandiosoDurante a Longa Marcha, ao atravessar as montanhas cobertas de neve, um camarada congelou até à morte usando roupas velhas e finas. O comandante pediu para chamar o chefe de suprimentos militares, querendo perguntar-lhe por que razão não tinha dado um casaco de algodão a esse camarada que tinha congelado. Os camaradas da tropa disseram-lhe, com lágrimas nos olhos, que o camarada que tinha congelado até à morte era o próprio chefe de suprimentos. O responsável pelos uniformes e vestuário preferiu congelar até à morte a vestir-se primeiro com algo mais quente; que nível ideológico tão sublime! A consciência parece invisível, mas, no momento crucial, manifesta um poder grandioso. O nosso Partido venceu lutas extremamente árduas graças à dedicação abnegada de milhões de elementos avançados com uma elevada consciência política”.
Produzida pelo Primeiro Estúdio da Agência de Notícias Xinhua na série editorial “Aprendizagem em Curso” (学习进行时).

Na sociedade chinesa atual, o Espírito da Longa Marcha é uma força de inspiração moral e um imperativo de mobilização nacional. Sob o conceito de que “Cada geração tem sua própria Longa Marcha, e cada geração deve completar bem a sua própria Longa Marcha“, a liderança chinesa resgata essa herança para motivar a população a enfrentar os desafios contemporâneos. Os obstáculos socioeconômicos e geopolíticos atuais — como a erradicação da pobreza, as reformas estruturais, a modernização tecnológica, a defesa de fronteiras em regiões de alta altitude e o combate à corrupção por meio de diretrizes disciplinares — são metaforicamente comparados aos “Passos de Loushan” e às “montanhas nevadas” do passado. Dessa forma, o Espírito da Longa Marcha permanece ativo como um vetor ideológico para guiar a China na consecução das “Duas Metas Centenárias” e na realização do Sonho Chinês de revitalização nacional.

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