Quando o Presidente Xi Jinping discursou no Grande Salão do Povo, em fevereiro de 2021, para anunciar a erradicação da extrema pobreza no país e proclamou que a nação deveria “cultivar continuamente o Espírito do Alívio da Pobreza para impulsionar a revitalização rural”, o que ele queria dizer com isso? Ele estava acionando um código de governança projetado para transformar uma meta técnica do governo em um dever moral sagrado para cada cidadão.
Diferente do Ocidente, onde o termo “espírito” costuma se restringir à religião ou à filosofia abstrata, na China ele define a energia vital coletiva, a moralidade e as metas estratégicas do Estado. Na ciência política contemporânea e na governança estatal chinesa, a noção de jīngshén transcende qualquer misticismo e ganha contornos de engenharia social, atuando como o motor invisível das políticas de desenvolvimento e da manutenção da ordem pública. Não estamos diante de um conceito vago, esse “espírito” ganha vida pragmática sob o comando do Partido Comunista da China (PCCh), servindo como um código de conduta, uma ferramenta pedagógica que inspira a conduta moral e a filosofia ideológica da nação.
Se quisermos compreender o papel que os espíritos (jīngshén – 精神) desempenham na sociedade chinesa contemporânea, precisamos entender suas duas vertentes complementares: os chamados “espíritos revolucionários” desenvolvidos ao longo do século XX e a moderna “civilização espiritual socialista”, que resgata os valores éticos do passado imperial, como o confucionismo. Juntas, essas duas forças formam uma arquitetura mental desenhada para vacinar a população contra corrupções morais e influências culturais ocidentais, enquanto canalizam o esforço individual diretamente para o fortalecimento do projeto nacional.
Diferente do Ocidente, onde o termo “espírito” costuma se restringir à religião ou à filosofia abstrata, na China ele define a energia vital coletiva, a moralidade e as metas estratégicas do Estado.
A história política do PCCh é oficialmente mapeada através de uma extensa e sagrada genealogia de virtudes morais. Essa estrutura foi formalmente sistematizada em um catálogo oficial composto por dezenas de referências que guiam o comportamento do cidadão e do burocrata ao longo de quatro grandes eras históricas. Na era das guerras e da fundação, evoca-se a resiliência do Espírito de Jinggangshan em momentos de crise, a disciplina do Espírito da Longa Marcha para exigir superação diante de cercos e sanções internacionais, e a ética de autossuficiência do Espírito de Yan’an, utilizado historicamente para combater o elitismo burocrático, a corrupção e o comodismo.
À medida que o país avançava para a reconstrução pós-1949, novos símbolos eram incorporados para exaltar o esforço fabril e a soberania tecnológica, como o Espírito do Homem de Ferro de Daqing, centrado no operário incansável, e o Espírito das Duas Bombas e Um Satélite, que celebra a capacidade técnica sob extrema pressão. Com as reformas econômicas de Deng Xiaoping e o advento das eras subsequentes, essa linhagem incorporou a ousadia das Zonas Econômicas Especiais e a resposta a crises sanitárias. Na era atual, de Xi Jinping, o catálogo expandiu-se para abranger metas globais e tecnológicas, materializadas no Espírito do Alívio da Pobreza, no Programa de Exploração Lunar Chang’e e no Espírito da Rota da Seda.
Os exemplos morais e as narrativas de virtude enaltecidas por esses “espíritos” constituem instrumentos valiosos na legitimação das ações do PCCh, ao mesmo tempo em que evocam o compromisso moral das novas gerações para com o sacrifício dos fundadores da República Popular. O impacto social dessa premissa desdobra-se em estratégias contínuas de mobilização coletiva. Por meio do “turismo vermelho”, de reformas educacionais profundas e de sua difusão ostensiva nas mídias, os cidadãos são incentivados a internalizar a resiliência como um dever cívico. Nas escolas, do jardim de infância às universidades, os currículos conectam atitudes cotidianas — como o respeito mútuo e a economia de recursos — ao compromisso com o Partido, apresentando heróis nacionais como o soldado-modelo Lei Feng para ensinar que a virtude maior reside em superar o individualismo em prol do bem-estar coletivo.
Na ciência política contemporânea e na governança estatal chinesa, a noção de jīngshén transcende qualquer misticismo e ganha contornos de engenharia social, atuando como o motor invisível das políticas de desenvolvimento e da manutenção da ordem pública.
Entretanto, o pragmatismo da governança chinesa percebeu que o avanço econômico acelerado — denominado civilização material — traria consigo os riscos do vício individualista, do consumismo e do egoísmo. Para evitar o vácuo moral do enriquecimento rápido, o Estado reabilitou o pensamento confucionista tradicional, outrora combatido durante a Revolução Cultural. Por meio dessa “sinização do marxismo”, valores milenares como harmonia, lealdade, meritocracia e piedade filial foram totalmente integrados à moralidade socialista. A família passa a ser tratada como uma célula política primária, onde o respeito aos pais, a sobriedade e a poupança dentro do lar são vistos como deveres éticos para com a estabilidade do próprio país.
Essa fusão conceitual fundamenta a estratégia de governar o país pelo binômio da lei e da virtude. Ao erguer-se como o guardião definitivo da moralidade pública e das tradições da civilização chinesa, o Estado imuniza suas diretrizes políticas contra contestações internas e externas. Opor-se a uma política governamental deixa de ser um debate sobre preferências ideológicas e passa a ser enquadrado como um desvio de caráter, uma falha ética ou um ato de deslealdade com a coletividade.
Por meio dessa “sinização do marxismo”, valores milenares como harmonia, lealdade, meritocracia e piedade filial foram totalmente integrados à moralidade socialista. A família passa a ser tratada como uma célula política primária, onde o respeito aos pais, a sobriedade e a poupança dentro do lar são vistos como deveres éticos para com a estabilidade do próprio país.
A aplicação cotidiana desse código transparece nos chamados Valores Centrais Socialistas, afixados ostensivamente em outdoors, telas de elevadores, metrôs e programas de televisão por todo o território nacional. Divididos nas esferas nacional, social e individual, eles traduzem metas abstratas como prosperidade e harmonia em imperativos pessoais de dedicação, integridade e patriotismo, naturalizando o alinhamento ideológico na rotina dos cidadãos.
Além do incentivo às virtudes comunitárias, o fortalecimento desse “espírito” envolve medidas de proteção do ambiente cultural contra a chamada “poluição espiritual” — termo utilizado oficialmente para designar desvios éticos ou excessos do individualismo. Essa premissa orienta a regulação do ecossistema digital no país, com foco na promoção de um ambiente virtual alinhado aos objetivos sociais do Estado. Nesse sentido, as políticas públicas desencorajam a ostentação de riqueza em redes sociais, estabelecem diretrizes para a limitação do tempo de tela de menores em jogos virtuais para incentivar hábitos saudáveis e reorientam a cobertura midiática. A cultura de adoração a celebridades cede espaço para a valorização de cientistas, trabalhadores e engenheiros, apresentados como referências centrais para o progresso e o desenvolvimento da sociedade.
Em suma, o conceito político e cultural do espírito chinês funciona como uma simbiose entre a memória revolucionária, a herança confuciana e o direcionamento estratégico do Estado. Ao alinhar a conduta moral do indivíduo ao progresso da coletividade, a China utiliza a energia vital de seu povo como um recurso estratégico de soberania. Entender o papel desses “espíritos” é compreender a própria mecânica da estabilidade social chinesa: uma estrutura em que a modernização econômica não é vista como um fim em si mesma, mas como o resultado prático de uma sociedade disciplinada, coesa e guiada por um propósito nacional inegociável.
Lista completa dos 46 Espíritos Oficiais que integram o catálogo oficial publicado pelo Departamento de Publicidade do Comitê Central do PCCh em setembro de 2021, organizados pelas quatro eras históricas:
Genealogia Espiritual dos Comunistas Chineses (Primeiro Lote Oficial)
I. Período da Revolução Democrática Nova (Fundação e Guerras)
1. Espírito Fundador do Partido (伟大建党精神)
2. Espírito de Jinggangshan (井冈山精神)
3. Espírito da Área Soviética (苏区精神)
4. Espírito da Longa Marcha (长征精神)
5. Espírito da Conferência de Zunyi (遵义会议精神)
6. Espírito de Yan'an (延安精神)
7. Espírito de Resistência à Agressão Japonesa (抗日战争精神)
8. Espírito de Hongyan (红岩精神)
9. Espírito de Xibaipo (西柏坡精神)
10. Espírito de Zhaojin (照金精神)
11. Espírito de Taihang (太行精神)
12. Espírito da Aliança Anti-Japonesa do Nordeste (东北抗联精神)
13. Espírito de Gannan / Investigação de Xunwu (赣南苏区精神)
II. Período da Construção e Desenvolvimento Socialista (Era Maoísta)
14. Espírito de Resistência à Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia (抗美援朝精神)
15. Espírito do Corpo de Produção e Construção de Xinjiang (兵团精神)
16. Espírito de Daqing / Homem de Ferro (大庆精神 / 铁人精神)
17. Espírito de Lei Feng (雷锋精神)
18. Espírito de Jiao Yulu (焦裕禄精神)
19. Espírito do Canal da Bandeira Vermelha (红旗渠精神)
20. Espírito das "Duas Bombas, Um Satélite" (两弹一星精神)
21. Espírito de Dazhai (大寨精神)
22. Espírito da Construção da Terceira Linha (三线建设精神)
23. Espírito de Beidahang (北大荒精神)
III. Período da Reforma, Abertura e Modernização Socialista (Eras Deng, Jiang e Hu)
24. Espírito da Reforma e Abertura (改革开放精神)
25. Espírito das Zonas Econômicas Especiais (特区精神)
26. Espírito de Combate às Enchentes (抗洪精神)
27. Espírito de Combate à SARS (抗击"非典"精神)
28. Espírito Aeroespacial Tripulado (载人航天精神)
29. Espírito da Seleção Feminina de Vôlei (女排精神)
30. Espírito de Saihanba (塞罕坝精神)
31. Espírito da Ferrovia Qinghai-Tibet (青藏铁路精神)
32. Espírito de Resgate e Combate a Terremotos (抗震救灾精神)
33. Espírito dos Trabalhadores Modelo e Artesãos (劳模精神 / 工匠精神)
34. Espírito de Kong Fansen (孔繁森精神)
IV. Nova Era do Socialismo com Características Chinesas (Era Xi Jinping)
35. Espírito do Alívio da Pobreza (脱贫攻坚精神)
36. Espírito Antiepidêmico (伟大抗疫精神)
37. Espírito dos Cientistas (科学家精神)
38. Espírito da Exploração Lunar Chang'e (探月精神)
39. Espírito do Tibet na Nova Era (新时代西藏精神)
40. Espírito da Rota da Seda (丝路精神)
41. Espírito do Sistema de Navegação Beidou (北斗精神)
42. Espírito dos Empreendedores (企业家精神)
43. Espírito do Serviço Voluntário (志愿服务精神)
44. Espírito do Mergulho Tripulado em Águas Profundas (载人深潜精神)
45. Espírito dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim (北京冬奥精神)
46. Espírito do Boi Desbravador / Pioneirismo (拓荒牛精神)
A Cartografia Moral do PCCh: A Genealogia Espiritual e os 46 Espíritos Oficiais
Consolidada em setembro de 2021 pelo Comitê Central do Partido Comunista da China e divulgada oficialmente por seu Departamento de Publicidade como parte das celebrações do centenário da agremiação, a chamada "Genealogia Espiritual dos Comunistas Chineses" reúne em seu primeiro lote oficial um catálogo de 46 espíritos revolucionários e morais. Mais do que um mero inventário comemorativo ou um conjunto de slogans históricos, essa lista funciona como uma engenharia pedagógica contínua, desenhada com uma rigorosa lógica interna de evolução e continuidade. A estrutura dessa cartografia moral divide a trajetória do país em quatro grandes eras históricas, em que cada etapa responde a um desafio existencial específico e fornece a fórmula comportamental exata exigida da população e da burocracia para superar os obstáculos de seu tempo.
A primeira grande fase abrange o Período da Revolução Democrática Nova, momento marcado pelas lutas de fundação e conflitos armados, em que a mecânica interna dos espíritos prioriza a sobrevivência física, a lealdade ideológica inabalável e o sacrifício militar sob condições extremas. É nessa etapa que se consolidam o Espírito Fundador do Partido, a resiliência estratégica do Espírito de Jinggangshan, a capacidade de superação do Espírito da Longa Marcha, a austeridade de Yan'an, além dos ideais de Xibaipo e Hongyan. A fórmula ética aqui opera pela abdicação total das necessidades individuais em nome da preservação da causa comunista.
Com a consolidação da República Popular após 1949, inicia-se o Período da Construção e Desenvolvimento Socialista. A orientação dos espíritos dessa era maoísta pós-revolucionária desloca-se da guerra de guerrilhas para a reconstrução física, a industrialização do território e a afirmação da soberania geopolítica. Destacam-se o Espírito de Resistência à Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia, a disciplina patriótica do Espírito de Daqing e do Homem de Ferro na extração petrolífera, o altruísmo e a entrega abnegada de Lei Feng, além do Espírito das "Duas Bombas, Um Satélite", que celebra a autodeterminação científica e tecnológica diante do isolamento internacional.
A terceira fase corresponde ao Período da Reforma, Abertura e Modernização Socialista, impulsionado sob as lideranças de Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao. A lógica interna dessa transição responde à necessidade de pragmatismo econômico, inovação e rápida capacidade de resposta a crises sistêmicas. Entram em cena o Espírito da Reforma e Abertura e o Espírito das Zonas Econômicas Especiais — personificado na transformação acelerada de metrópoles como Shenzhen —, acompanhados pela solidariedade coletiva manifestada no Espírito de Combate às Enchentes de 1998, no combate à crise sanitária da SARS em 2003 e no orgulho do Programa Aeroespacial Tripulado.
Por fim, a chamada Nova Era do Socialismo com Características Chinesas, sob a liderança de Xi Jinping, projeta o catálogo moral para a alta tecnologia, a projeção internacional e a concretização do "Sonho Chinês" de rejuvenescimento nacional. Os espíritos dessa era refletem as ambições modernas do Estado, abrangendo o Espírito do Alívio da Pobreza, a mobilização social do Espírito Antiepidêmico, a exaltação da inovação por meio do Espírito dos Cientistas e Empreendedores, a ousadia científica do Programa de Exploração Lunar Chang'e e a visão geopolítica global do Espírito da Rota da Seda.
O funcionamento dessa fórmula revela que os 46 termos não constituem um monumento estático do passado, mas um dispositivo vivo de governança social. O Partido Comunista utiliza esse compêndio dinâmico como um manual pedagógico aplicado em múltiplos níveis da sociedade chinesa. A genealogia orienta as diretrizes teóricas e os discursos da alta cúpula, pauta os critérios de avaliação nos rigorosos exames de admissão ao funcionalismo público, estruturar os itinerários educativos do "turismo vermelho" e dita o treinamento ideológico dos novos quadros partidários. Trata-se de uma engrenagem em que o dever moral do presente é constantemente validado pela linhagem histórica de sacrifícios do passado.
Na Prática: Como Funcionam os Eixos Internos dos Principais Espíritos Históricos
No ecossistema da ideologia política chinesa, os espíritos revolucionários da era da fundação operam como verdadeiros códigos genéticos de conduta. Dentre eles, o Espírito de Yan’an sobressai-se como a alma e o núcleo moral absoluto do Partido Comunista da China, moldado no período em que a cúpula do movimento esteve sediada na remota base de Yan’an, entre 1935 e 1948. A fórmula interna dessa doutrina não é abstrata; ela se apoia em quatro eixos perfeitamente articulados que orientam a liderança e a sociedade até os dias atuais.
O primeiro pilar dessa engrenagem exige uma Orientação Política Correta e Firme, o que se traduz pela lealdade ideológica inabalável e absoluta ao comando central. Nascida no isolamento e sob escassez extrema, essa norma é aplicada hoje para garantir o alinhamento disciplinar irrestrito de todos os quadros do partido em torno do Comitê Central e da liderança de Xi Jinping, sufocando desvios individuais ou regionalismos.
O segundo pilar estabelece a Linha de Pensamento de Libertar a Mente e Buscar a Verdade nos Fatos. Historicamente, isso significava rejeitar dogmas teóricos e cópias cegas de modelos estrangeiros — como o soviético —, adaptando a teoria às especificidades locais. Na China contemporânea, esse pilar fornece a chancela moral e intelectual para o pragmatismo econômico, a inovação científica e a contínua consolidação do Socialismo com Características Chinesas.
O terceiro pilar fixa o Propósito Fundamental de Servir ao Povo de Todo o Coração, diretriz imortalizada por Mao Tsé-Tung. Essa dimensão exige que os membros do partido atuem como servidores das massas e não como uma elite distante. No contexto moderno, ela atua como uma rigorosa ferramenta de combate à corrupção e ao elitismo burocrático, fundamentando a legitimidade do regime não no modelo eleitoral ocidental, mas na entrega concreta de bem-estar social.
Por fim, o quarto pilar é o Espírito de Autossuficiência e Trabalho Árduo. Originado no período em que os próprios dirigentes cultivavam a terra e habitavam cavernas sob severo bloqueio, esse eixo é a principal alavanca retórica contra as sanções internacionais e guerras comerciais do presente, mobilizando o país rumo à independência total em áreas críticas como semicondutores, energia e produção agrícola.
Essa mecânica do sacrifício e do pragmatismo conecta-se diretamente à lógica de outros três grandes espíritos da revolução. O Espírito de Jinggangshan injeta na fórmula a resiliência e a fé inabalável para criar bases operacionais e resistir mesmo quando o cenário aponta para o fracasso total. Em seguida, o Espírito da Longa Marcha complementa essa mentalidade ao exigir união, disciplina militar de ferro e uma capacidade sobre-humana de superação diante do cerco e de condições físicas limítrofes. Fechando esse ciclo histórico, o Espírito de Xibaipo introduz a prudência e a modéstia no momento da transição para o poder nacional, alertando os quadros para que a vitória não se converta em soberba ou decadência moral.
Em conjunto, a engrenagem de Yan’an e seus pares históricos demonstram que a retórica oficial da China não recorre ao passado por mera nostalgia. A fórmula interna desses espíritos converte episódios de superação militar do século XX em diretrizes estratégicas permanentes, transformando o dever moral do cidadão no combustível indispensável para a soberania do Estado.
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