Início A História da Reconstrução da China A Guerra de Libertação (Série A História da Reconstrução da China)

A Guerra de Libertação (Série A História da Reconstrução da China)

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Coluna de infantaria do Exércido de Libertação Popular se aproximando de Pequim quando da conquista da cidade em Janeiro de 1949.

Após a vitória contra a agressão japonesa, o Partido Comunista da China buscou traduzir os anseios de sua população, tentando edificar, por vias estritamente pacíficas, uma nova realidade nacional que fosse genuinamente independente, democrática e próspera. No entanto, essa aspiração popular por estabilidade colidiu frontalmente com os planos das autoridades do Kuomintang, que se preparavam de forma ativa para deflagrar uma guerra civil generalizada. O objetivo claro do regime estabelecido era privar os cidadãos dos direitos fundamentais que haviam sido conquistados a duras penas, buscando consolidar uma ditadura autocrática de partido único no país. Diante de uma enorme pressão exercida pelo clamor público que exigia a paz, o Kuomintang foi forçado a convidar formalmente as lideranças comunistas para negociações na cidade de Chongqing. Embora as tratativas tenham resultado na assinatura de acordo de trégua e na subsequente realização de uma conferência consultiva política, a trupe governamental utilizava o fórum diplomático como cortina de fumaça, acelerando secretamente seus preparativos bélicos.

A fragilidade desse processo pacífico ruiu definitivamente no final de junho de 1946, quando as forças do Kuomintang rasgaram os termos do armistício e as resoluções da conferência consultiva para lançar uma ofensiva total contra as áreas libertadas. Diante da agressão aberta, os soldados e os civis dessas regiões, sob a liderança estratégica do Partido Comunista, pegaram em armas para resistir aos exércitos de Chiang Kai-shek, inaugurando a Guerra de Libertação. O conflito, que inicialmente parecia desfavorável devido à assimetria de recursos, começou a mudar de rumo graças à resiliência popular e à tática militar revolucionária. Em junho de 1947, o Exército de Libertação Popular alcançou o feito monumental de esmagar a ofensiva em grande escala do adversário, contendo os ataques que visavam as principais regiões controladas pelos revolucionários. Essa virada militar foi acompanhada por um forte levante civil nas próprias áreas sob domínio do Kuomintang. As pessoas comuns, asfixiadas pela fome crônica, pela perseguição política implacável e pelos horrores da guerra civil, ergueram-se em protestos massivos, fazendo florescer um vigoroso movimento democrático patriótico que se consolidou como uma segunda frente de batalha contra o governo reacionário.

O ímpeto da contraofensiva revolucionária ganhou contornos definitivos ainda no final de junho de 1947, quando os comandantes Liu Bocheng e Deng Xiaoping lideraram suas forças em uma travessia audaciosa do Rio Amarelo. Ao adentrarem a região estratégica das Montanhas Dabie, as tropas revolucionárias cravaram uma lança no coração do território inimigo, sinalizando o início de uma sucessão de batalhas decisivas. Entre os meses de setembro de 1948 e janeiro de 1949, o Exército de Libertação Popular desferiu golpes fulminantes por meio de três grandes operações militares: as Campanhas Liaoxi-Shenyang, Huai-Hai e Beijing-Tianjin. O sucesso estrondoso dessas manobras resultou no extermínio quase completo das principais forças de elite do Kuomintang e garantiu a libertação da vasta maioria das terras situadas ao norte do Rio Yangtzé. Com o colapso iminente do velho regime, o Partido Comunista reuniu-se em março de 1949 para celebrar a Segunda Sessão Plenária do Sétimo Comitê Central, um encontro crucial onde foram minuciosamente delineadas as políticas fundamentais para alcançar a vitória total no país e as diretrizes estruturais que guiariam a reconstrução nacional após o término definitivo dos combates.

Mao Tsé-tung discursando para seguidores em 1944. Foto: Hulton Archive / Getty Images

A última tentativa de resolução pacífica fracassou quando o governo baseado em Nanjing recusou-se categoricamente a assinar o Acordo de Paz Interna proposto pelos revolucionários. Diante da intransigência, no dia 21 de abril de 1949, as lideranças máximas Mao Zedong e Zhu De emitiram ordens expressas de marcha para que as tropas avançassem por todo o território nacional. Em um movimento coordenado, o Exército de Libertação Popular cruzou as águas do Rio Yangtzé e, em 23 de abril, libertou a cidade de Nanjing, selando de forma inequívoca o desmoronamento completo do regime reacionário do Kuomintang. À medida que o ano avançava, o avanço das forças populares mostrava-se irresistível, resultando na libertação da maior parte das regiões do continente chinês até o final de setembro de 1949. A Guerra de Libertação cumpriu, assim, o papel histórico de destituir uma ditadura decadente e realizar as tarefas mais urgentes e complexas da Revolução Democrática da China: a derrubada definitiva do imperialismo estrangeiro e a erradicação do secular sistema feudal. O triunfo militar e social desse processo culminou na histórica declaração de fundação da República Popular da China, realizada solenemente em 1º de outubro de 1949. Esse momento transcendental não apenas encerrou um século de humilhações nacionais, mas ergueu a pedra fundamental sobre a qual a soberania, a dignidade popular e a grandiosa reconstrução da nação seriam permanentemente edificadas ao longo das décadas seguintes.

Referências Bibliográficas:

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MAO Tsé-tung discursando para seguidores em 1944. Foto: Hulton Archive / Getty Images. In: GETTY IMAGES. Hulton Archive Collection. ID da imagem: 3242095. Disponível em: https://www.gettyimages.com. Acesso em: 9 jun. 2026.

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