A história da reconstrução e da revitalização da nação chinesa é marcada por episódios de superação profunda, nos quais o povo e suas lideranças precisaram encontrar forças em meio à iminência da destruição absoluta. Um dos capítulos mais dramáticos e decisivos dessa jornada teve início no dia 7 de julho de 1937, quando os invasores japoneses arquitetaram o que ficou mundialmente conhecido como o Incidente da Ponte de Lugou, ou Incidente de 7 de Julho.
Esse acontecimento foi o estopim planejado para o início de uma guerra total contra a China, ameaçando a própria existência do país. Com a eclosão dessa violenta guerra de agressão, a nação chinesa viu-se diante de uma crise sem precedentes, onde a fragmentação interna significaria o fim de sua civilização. Diante do abismo, a única esperança de sobrevivência, e a consequente recuperação futura da China, residia na capacidade de unir toda a nação, esquecendo temporariamente as divergências profundas, para lutar de forma obstinada contra os agressores externos.
Compreendendo a gravidade do momento histórico, imediatamente no segundo dia após o Incidente de 7 de Julho, o Partido Comunista da China tomou a iniciativa política. Sob uma bandeira de ação contra o expansionismo japonês, o partido defendeu publicamente a união imediata de todo o povo chinês, de seus governos e de suas forças armadas. A proposta era construir uma frente única nacional que funcionasse como uma verdadeira Grande Muralha humana, capaz de resistir à invasão e salvaguardar o território. Para que esse plano funcionasse, era indispensável uma estreita aliança entre o Kuomintang e o Partido Comunista da China..
À medida que esse clamor e o movimento de salvação nacional antijaponês surgiam e ganhavam as ruas com força total, impulsionados pela proposta de cooperação levantada pelos comunistas, as estruturas oficiais do Estado começaram a se movimentar na mesma direção. Em 22 de agosto daquele mesmo ano, a Comissão Militar do Governo Nacional divulgou uma declaração oficial determinando que o Exército Vermelho deveria ser redesignado, passando a se chamar Oitavo Exército de Rota do Exército Nacional Revolucionário da China. Essa declaração institucional foi formalmente confirmada no dia 25 de agosto, selando a integração militar inicial.
Simultaneamente a esse processo no norte, as tropas do Exército Vermelho e as forças de guerrilha que operavam ativamente nas regiões fronteiriças das oito províncias do sul da China, com a única exceção daquelas localizadas em Qiongya, também seriam transformadas e reorganizadas sob uma nova identidade, dando origem ao Novo Quarto Exército. Logo após receberem a nova designação e os novos comandos, esses exércitos não perderam tempo e seguiram prontamente para as linhas de frente mais perigosas, entrando diretamente no combate contra o exército imperial.

Pessoas na foto: na fila de trás, da esquerda para a direita, temos líderes experientes: Chen Yun, cujas diretrizes econômicas moldariam a China moderna; Bo Gu, uma figura central no início do PCC; Peng Dehuai, um renomado general; Liu Shaoqi, que se tornaria uma figura política proeminente; Zhou Enlai, o diplomata de prestígio; e Zhang Wentian, um intelectual do partido.
Na fila da frente, sentados, a imagem revela: Kang Sheng, um mestre da segurança e inteligência; Mao Zedong, cujo carisma e liderança emergiram com força durante a Longa Marcha; Wang Jiaxiang, um estratega militar e político; Zhu De, o lendário comandante do Exército Vermelho; Xiang Ying, um líder militar e político; e Wang Ming.
No campo político e administrativo, as transformações continuaram em ritmo acelerado para refletir a nova realidade de união nacional, e, em setembro, a Base Revolucionária de Shaanxi-Gansu-Ningxia foi oficialmente renomeada para região de fronteira, alinhando-se ao esforço de coalizão. O ápice formal dessa reaproximação histórica ocorreu em vinte e dois de setembro, quando a Agência Central de Notícias do Kuomintang divulgou publicamente a Declaração do Anúncio do Comitê Central do Partido Comunista da China para a Cooperação entre as duas forças. No dia seguinte, demonstrando o pragmatismo exigido pela crise, o Generalíssimo Chiang Kaishek fez uma declaração própria na qual reconheceu o estatuto jurídico do Partido Comunista da China, que até então operava na ilegalidade e sob perseguição do Estado.
Assim, com esses atos sucessivos, foram formalmente estabelecidas a Segunda Cooperação Kuomintang-Partido Comunista da China e a Frente Única Nacional Antijaponesa. Essa segunda cooperação trouxe para o cenário político e social uma unidade nacional sem precedentes na história moderna do país, integrando diferentes classes e visões ideológicas em prol de um objetivo comum. Foi justamente essa coesão de forças que acabou derrotando os agressores japoneses após anos de sacrifício e sofrimento, trazendo a tão esperada vitória na Guerra de Resistência.
No entanto, o funcionamento interno dessa aliança era complexo e guardava diferenças marcantes quando comparado ao passado da política chinesa. Ao contrário do que havia ocorrido durante a Primeira Cooperação entre os dois partidos no período da Grande Revolução, essa segunda aliança foi realizada e mantida sem que houvesse programas políticos comuns ou organizações unificadas de coordenação. Os dois partidos permaneceram estritamente independentes um do outro, mantendo cada qual o seu próprio regime político nas áreas que controlavam e o comando de seus respectivos exércitos. Essa independência era acompanhada por uma profunda desconfiança mútua, visto que a política histórica do Kuomintang de corroer, conter, restringir e minar o Partido Comunista não cessou, continuando de forma subterrânea ao longo de todo o processo de cooperação.
Para garantir que a cooperação não ruísse antes da hora e que a guerra contra o invasor fosse bem-sucedida, o Partido Comunista precisou adotar uma postura estratégica de extrema flexibilidade e firmeza ao mesmo tempo. O partido implementou uma série de diretrizes políticas resumidas nas expressões “coesão e luta” e “busca da unidade por meio da luta”. O objetivo dessas manobras era evitar que o Generalíssimo Chiang Kaishek cedesse às pressões externas e se rendesse ao inimigo ou que subvertesse completamente sua oposição ao Partido Comunista de modo a sabotar o esforço de guerra. Essa pressão política constante e calculada forçou o governo nacionalista de Chiang a permanecer dentro das fronteiras da aliança antijaponesa até o fim do conflito mundial. Através desse intrincado processo de vigilância e combate interno, os comunistas ganharam imensa sabedoria política e militar durante a luta, conseguindo manter uma situação geopolítica extremamente difícil sob controle. Esse protagonismo permitiu que o partido desempenhasse um papel decisivo na condução estratégica e na vitória final da guerra contra o Japão.
Contudo, assim que o inimigo externo foi derrotado e a ameaça de colonização desapareceu, as contradições internas que haviam sido temporariamente sufocadas voltaram à tona com força total. Em junho de 1946, rompendo o frágil equilíbrio que sustentava a paz, o Kuomintang lançou uma ofensiva militar total contra as chamadas áreas libertadas que estavam sob a liderança do Partido Comunista da China. Esse ataque massivo rompeu os laços institucionais restantes e levou inevitavelmente a uma guerra civil em grande escala por todo o território nacional. O início desses combates generalizados marcou o colapso definitivo da Segunda Cooperação, abrindo um novo período de disputas que redefiniria os rumos da reconstrução chinesa.
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