PEQUIM — O Canal de Pinglu, o primeiro grande canal construído desde a fundação da República Popular da China a ligar diretamente as vias navegáveis interiores ao mar, alcançou esta quarta-feira um marco histórico. O projeto atingiu a sua capacidade máxima de enchimento com o início do abastecimento de água nos centros de navegação estratégicos de Ma’dao e Qishi. Com este avanço crucial, a infraestrutura entrou oficialmente na sua fase de testes operacionais, estando a navegação plena calendarizada já para o próximo mês de setembro, avançou a CCTV News.
Iniciada em agosto de 2022, esta colossal obra de engenharia civil é o elemento central do Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo. Trata-se de uma rota comercial e logística estratégica desenvolvida em cooperação por várias regiões de nível provincial do oeste da China e pelos países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Embora a abertura total ao tráfego comercial esteja prevista para o final de 2026, os testes hidrológicos atuais demonstram a celeridade e o sucesso na execução dos trabalhos.
A nova hidrovia estende-se por 134,2 quilómetros, ligando o reservatório de Xijin, na cidade de Hengzhou, ao Porto de Qinzhou, situado na Região Autónoma de Guangxi Zhuang, no sul do país. Ao estabelecer uma ligação direta, rápida e económica, o Canal de Pinglu obteve já um amplo reconhecimento internacional, sendo aclamado como um avanço fundamental que irá estreitar substancialmente a conectividade marítima e comercial com as nações da ASEAN.
Especialistas apontam que esta conquista representa uma transformação radical na logística da região. Hu Qimu, professor do Instituto da Rota da Seda Marítima da Universidade de Huaqiao, sublinhou em declarações ao Global Times que o canal resolve um estrangulamento histórico ao criar uma saída marítima direta para o sudoeste da China. A nova rota conecta o sistema fluvial do Rio Xijiang aos portos do Golfo de Beibu, em Guangxi, oferecendo uma alternativa logística sem precedentes.
O principal objetivo económico desta infraestrutura é proporcionar às províncias do interior da China, historicamente menos prósperas devido ao isolamento geográfico, um acesso significativamente mais rápido e económico às rotas marítimas globais. Espera-se que a facilidade de transporte impulsione de imediato a indústria local e robustece o comércio bilateral com a ASEAN, que se consolidou como o maior parceiro e mercado de exportação do gigante asiático.

Os benefícios logísticos quantificam-se em poupanças massivas de tempo e custos operacionais. Quando o canal estiver em plena exploração comercial, os navios de carga provindos de Guangxi e de todo o sudoeste chinês pouparão mais de 560 quilómetros de viagem no seu trajeto em direção ao mar. Esta redução drástica nas distâncias traduzir-se-á numa diminuição acentuada na pegada de carbono do transporte de mercadorias e num aumento da competitividade industrial regional.
Do ponto de vista da engenharia moderna, o Canal de Pinglu acumula múltiplos recordes nacionais e mundiais. O entroncamento de Ma’dao, por exemplo, destaca-se globalmente em duas frentes: ostenta atualmente a maior eclusa para navios com sistema de poupança de água do mundo em termos de diferença de nível, apresentando um desnível máximo de 29,6 metros entre a montante e a jusante — o equivalente à altura de um edifício residencial de 10 andares.
Adicionalmente, Ma’dao é a maior eclusa de águas interiores com tecnologia de poupança hídrica do planeta, com uma câmara que mede 300 metros de comprimento e 34 metros de largura. Cada uma destas câmaras possui dimensões planeadas para acomodar múltiplos navios de grande porte em simultâneo. Em termos de capacidade agregada, as duas eclusas gémeas do complexo conseguem receber e processar até 12 navios da classe de 5.000 toneladas ao mesmo tempo.
A convergência estratégica de ferrovias, redes rodoviárias e hidrovias num centro de transporte multimodal no Golfo de Beibu elevará substancialmente a resiliência e a redundância das cadeias de abastecimento globais. A infraestrutura reduzirá a dependência de rotas congestionadas e oferecerá alternativas seguras em cenários de crise logística global, garantindo a estabilidade do fluxo de matérias-primas e produtos manufaturados entre as duas regiões.
De acordo com a análise de Hu Qimu, o impacto profundo e estrutural deste projeto no corredor comercial China-ASEAN, no reordenamento do cenário industrial do sudoeste chinês e na fixação de novos padrões internacionais de tecnologia de navegação fluvial continuará a desdobrar-se de forma progressiva ao longo dos próximos cinco a dez anos. O Canal de Pinglu assume-se, assim, como o novo paradigma global de integração económica regional através do desenvolvimento de infraestruturas conectivas.

