PEQUIM — Historicamente, a validação internacional de qualificações técnicas obtidas na China enfrentou severas barreiras burocráticas e de equivalência. O certificado de um eletricista formado no país, por exemplo, costuma ter pouca ou nenhuma validade no exterior. Para sanar essa assimetria e integrar de forma definitiva o ensino técnico global, o Ministério da Educação da China informou oficialmente no dia 12 de outubro que um inédito conjunto de diretrizes globais para a educação profissional será apresentado ao mundo. O projeto visa criar os mecanismos necessários para promover o reconhecimento mútuo de diplomas e competências profissionais entre as nações participantes.
O chamado “Quadro de Normas Mundiais para Educação Profissional e Técnica” é a primeira estrutura internacional do gênero totalmente liderada e promovida por Pequim. Desenvolvido a partir das amplas práticas educacionais chinesas, o modelo também incorporou experiências consolidadas de diversas partes do globo. Segundo o ministério chines, o documento estabelece parâmetros universais para áreas cruciais do setor, abrangendo desde valores fundamentais, sistemas operacionais e modelos de governança até mecanismos diretos de apoio e métricas de implementação.
O lançamento oficial da diretriz ocorrerá na Conferência Mundial de Desenvolvimento da Educação Profissional e Técnica de 2026, agendada para ser realizada entre os dias 15 e 17 de outubro no município de Tianjin, no norte do país. O texto final é fruto de um longo processo colaborativo: ao longo de mais de um ano de consultas e elaboração técnica, autoridades educacionais, departamentos industriais e associações comerciais de dezenas de países debateram e aprimoraram a proposta, conforme relatou Peng Binbai, funcionário do Ministério da Educação da China.
Até o momento, 46 países já formalizaram a aceitação, o reconhecimento e o endosso irrestrito ao novo quadro normativo. Essa adesão expressiva reflete o peso do sistema de ensino chinês, que figura atualmente como o maior do mundo na modalidade técnica, formando mais de 10 milhões de profissionais anualmente. Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), a educação profissional chinesa foi responsável por fornecer mais de 70% da mão de obra altamente qualificada incorporada pelas indústrias modernas da nação.
A projeção internacional da educação profissional chinesa também já conta com braços práticos de implementação ao redor do globo. A China estabeleceu, até a presente data, 38 Oficinas Luban distribuídas por 32 países. Esse programa internacional de capacitação já prestou educação acadêmica formal a mais de 30 mil estudantes, além de fornecer treinamento técnico não acadêmico a mais de 160 mil participantes em diferentes continentes.
Desde 2022, o Ministério da Educação da China realiza edições da Conferência Mundial de Desenvolvimento da Educação Profissional e Técnica para consolidar sua liderança global no setor. Como destacou o funcionário Liu Yong, a influência internacional do país na área segue em expansão contínua, transformando o fórum de Tianjin na principal plataforma global para intercâmbios, padronização e cooperação em ensino técnico.

