
Qingdao, China — Pesquisadores chineses realizaram um avanço significativo para a ciência marítima global com o lançamento oficial do “Langya” Ocean Large Model 2.0, um sistema de previsão baseado em inteligência artificial desenvolvido de forma totalmente independente no país. O anúncio ocorreu no último sábado, em Qingdao, na província de Shandong, reunindo a comunidade científica para celebrar uma ferramenta promissora na governança climática e na segurança dos oceanos. De acordo com os desenvolvedores, este novo modelo foi projetado para fornecer previsões muito mais rápidas, precisas e interativas de fenômenos oceânicos em escala global, representando um salto qualitativo em relação aos métodos tradicionais de monitoramento meteorológico e marítimo que costumam demandar imenso poder computacional.
Os cientistas responsáveis pelo projeto afirmaram com entusiasmo que o Langya 2.0 fornecerá um suporte inteligente crucial para a prevenção e mitigação de desastres marítimos, além de otimizar a segurança da navegação comercial e militar, dar suporte às desafiadoras rotas de navegação polar e impulsionar de maneira substancial os esforços internacionais para combater os efeitos severos das mudanças climáticas globais. Com base nos aprendizados e dados coletados na versão anterior da plataforma, o Langya 2.0 expande de forma expressiva o seu escopo de atuação, deixando de prever apenas variáveis básicas e isoladas do estado do oceano para passar a prever fenômenos oceânicos de alta complexidade em tempo real.
Segundo explicou Li Xiaofeng, pesquisador sênior do Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ciências e membro ativo da equipe de desenvolvimento do sistema, o modelo atualizado concentra seus esforços e algoritmos avançados em seis áreas principais de grande impacto socioeconômico: tufões, precipitação volumosa, tempestades costeiras destrutivas, ondas solitárias internas, vórtices de mesoescala e a dinâmica do gelo marinho nas calotas polares. Para dar um suporte técnico robusto a essas aplicações tão distintas, os cientistas criaram seis modelos verticais especializados, estabelecendo, dessa maneira, capacidades preditivas multiscenário e sistemáticas que atuam de forma integrada e simultânea.
Como um exemplo claro dessa nova eficiência tecnológica, o submodelo de previsão de tufões integra de forma dinâmica dados ambientais atmosféricos e oceânicos, imagens de nuvens obtidas em tempo real por satélites de última geração e registros históricos detalhados de tempestades anteriores, melhorando significativamente as previsões com antecedência de 24 horas das trajetórias exatas e da intensidade destrutiva dos tufões, particularmente para aquelas tempestades severas que se intensificam rapidamente ou que mudam de direção de forma repentina e imprevisível. Wang Fan, diretor do prestigiado instituto de oceanologia, destacou que o Langya 2.0 integra perfeitamente observações coletadas de múltiplas fontes, o vasto conhecimento científico acumulado sobre os processos oceânicos físicos e o raciocínio lógico baseado em inteligência artificial generativa, aprimorando de maneira definitiva a previsão oceânica em direção a uma maior velocidade de resposta, precisão milimétrica e interatividade intuitiva para os operadores civis e militares.
Olhando para as próximas etapas da pesquisa, a equipe de cientistas já planeja explorar o desenvolvimento de novos agentes oceânicos ainda mais inteligentes no futuro próximo, abrangendo áreas vitais como a ecologia marinha sensível, a gestão sustentável da pesca comercial e a prevenção ativa da corrosão química em grandes instalações offshore, como plataformas de petróleo e parques eólicos. Além disso, as autoridades acadêmicas revelaram que já estão em andamento planos internacionais ambiciosos para introduzir a série tecnológica Langya em países e regiões em desenvolvimento que atualmente não possuem os recursos financeiros ou tecnológicos necessários para construir e manter sistemas de observação oceânica em larga escala, fornecendo-lhes, de forma solidária, soluções altamente econômicas e acessíveis para o monitoramento contínuo e a previsão assertiva de fenômenos oceânicos extremos.
O nome de batismo “Langya” carrega uma forte carga cultural e histórica, derivando diretamente de Cihai, a famosa e tradicional enciclopédia da língua chinesa. Na obra, o termo representa um tesouro precioso caracterizado por uma textura fina, clareza cristalina e qualidades nobres semelhantes ao jade, simbolizando, portanto, o valor estratégico e a precisão excepcional do modelo computacional apresentado ao mundo. Adicionalmente, o instituto relembrou que, na China antiga, o icônico Terraço Langya, localizado justamente na Nova Área da Costa Oeste de Qingdao, servia historicamente como um importante local de observação astronômica primitiva e previsão do calendário agrícola e marítimo, refletindo a longa e ininterrupta tradição chinesa de explorar, respeitar e compreender os mistérios do mar.
Fonte: Xinhua
