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Mongólia Interior converte ventos e sol em poder computacional verde para a era da Inteligência Artificial

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O Vale da Inovação de Talentos na Nova Área de Horinger, Hohhot, região autônoma da Mongólia Interior. A área está desenvolvendo um cluster industrial de computação verde e IA, apoiado por energia renovável e redes de baixa latência. [Foto fornecida ao chinadaily.com.cn]

A região autônoma da Mongólia Interior, localizada no norte da China, está implementando uma estratégia ambiciosa para converter suas vastas reservas de energia renovável em uma vantagem competitiva decisiva no mercado de computação verde. O avanço acelerado da inteligência artificial global tem impulsionado de forma drástica a demanda por infraestruturas de processamento de dados de alta performance, estruturas conhecidas por serem severas consumidoras de eletricidade em escala industrial. Diante desse cenário de transição tecnológica e energética global, as autoridades locais detalharam os novos planos de expansão econômica regional, conforme informações originalmente publicadas e veiculadas pelo renomado periódico China Daily, destacando o novo papel estratégico que a localidade pretende assumir na infraestrutura tecnológica asiática.

Em uma recente coletiva de imprensa que contou com a cobertura de veículos de comunicação nacionais e internacionais, representantes do governo local apresentaram indicadores da Agência Internacional de Energia que revelam o tamanho do desafio estrutural moderno. De acordo com os dados apresentados, os data centers espalhados pelo planeta responderam por aproximadamente 1,5% de todo o consumo global de eletricidade registrado ao longo do ano de 2024. As projeções oficiais indicam uma tendência ainda mais severa, apontando que esse consumo energético específico deve mais do que dobrar até o ano de 2030, impulsionado pela corrida do desenvolvimento tecnológico.

Essa rápida e contínua expansão da inteligência artificial transformou variáveis complexas, como a garantia de fornecimento contínuo de energia, a previsibilidade de custos operacionais e o controle rigoroso das emissões de gases de efeito estufa, em preocupações absolutamente essenciais e incontornáveis para as corporações que atuam no setor. Diante disso, a abundância de recursos naturais surge como uma alternativa viável para mitigar os impactos ecológicos decorrentes desse crescimento sem precedentes.

Segundo declarações do vice-presidente executivo da região, Huang Zhiqiang, a crescente demanda por poder computacional observada nesta nova era digital é essencialmente sustentada pelo insumo básico da eletricidade. O líder governamental afirmou categoricamente que a Mongólia Interior pretende mudar de forma estrutural o foco de sua matriz econômica regional, migrando da tradicional exportação primária de recursos naturais brutos para o desenvolvimento robusto de capacidade computacional instalada em seu próprio território. O plano estratégico desenhado pelo governo prevê a conversão direta de seus vastos recursos eólicos e solares em energia elétrica limpa para, posteriormente, transformá-los em capacidade computacional líquida de alta qualidade.

Demonstrando a viabilidade técnica desse ecossistema, uma maquete detalhada foi colocada em exposição na Nova Área de Horinger, ilustrando de forma prática um conceito integrado de fornecimento de energia multifacetado. O projeto inovador foi desenhado especificamente para coordenar de forma simultânea e inteligente os recursos de eletricidade, os fluxos de aquecimento térmico e o fornecimento de gás direcionados tanto para os centros de processamento de dados quanto para outros usuários industriais complexos da região.

Uma maquete em exposição na Nova Área de Horinger ilustra um conceito integrado de fornecimento de energia, projetado para coordenar recursos de eletricidade, aquecimento e gás para centros de dados e outros usuários. [Foto de Guo Yanqi/chinadaily.com.cn]

Os resultados práticos dessa transição já começam a apresentar números expressivos na economia local. Até o mês de maio de 2026, a capacidade computacional total instalada na região atingiu a impressionante marca histórica de 315.000 petaflops. Desse montante global, cerca de 297.000 petaflops são dedicados exclusivamente à capacidade computacional inteligente, volume que já passa a representar cerca de um sétimo de toda a capacidade computacional disponível atualmente em território chinês.

Dentro desse arranjo geográfico, o cluster de data centers de Horinger, que engloba os principais e mais modernos parques tecnológicos situados nas cidades de Hohhot e Ulanqab, desponta como o coração do projeto. O complexo registrou individualmente 291.000 petaflops de capacidade computacional total, dos quais 273.000 petaflops correspondem à computação inteligente de última geração. Consolidado como um dos eixos mais importantes da China, o polo atraiu investimentos das principais operadoras de telecomunicações do país, além de gigantes da tecnologia, instituições financeiras nacionais e operadores globais de processamento de dados.

O grande atrativo da localidade reside justamente na sustentabilidade financeira e ambiental das operações. Na Horinger New Area, os centros de processamento utilizam mais de 80% de energia verde proveniente de fontes limpas, conforme apontado por Cao Zhanwei, diretor do Centro de Serviços de Desenvolvimento Empresarial local. O diretor ressaltou ainda um dado financeiro crucial para o mercado, explicando que a eletricidade representa entre sessenta e setenta por cento de todos os custos operacionais contínuos de um centro de dados tradicional. Esse fator torna o fornecimento de energia estável e com preços competitivos um elemento decisivo para atrair novos e volumosos investimentos de capital internacional e doméstico.

Essa notável vantagem competitiva em termos de custos energéticos está permitindo que a administração local trace metas que vão muito além da simples instalação de armazéns de servidores. De acordo com Cao Zhanwei, a administração está trabalhando ativamente para construir um ecossistema industrial muito mais amplo e integrado, capaz de conectar a fabricação de equipamentos de infraestrutura na ponta inicial, o processamento intermediário nos centros de dados e as aplicações de dados finais na ponta de consumo.

Olhando para o futuro próximo, as autoridades locais reafirmaram o compromisso de integrar a Mongólia Interior de forma profunda à Rede Nacional de Computação Unificada da China. O objetivo central é expandir continuamente a infraestrutura verde e consolidar a província como uma base de referência para o desenvolvimento de aplicações baseadas no binômio de poder de computação limpa combinado com inteligência artificial. Com base nos planos preliminares traçados para a região, a Mongólia Interior estabeleceu a ambiciosa meta de implantar, até o ano de 2030, cerca de cinquenta grandes modelos de inteligência artificial de uso geral e específicos, além de criar cem cenários típicos e práticos de aplicação tecnológica cotidiana.

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