Início Infraestrutura Ferrovia Etiópia-Djibuti promove o desenvolvimento do Nordeste da África

Ferrovia Etiópia-Djibuti promove o desenvolvimento do Nordeste da África

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Trains are seen at Andode train station in Oromia region during a media guided tour of the Ethio-Djibouti Railways route in Adama, Ethiopia, September 24, 2016. REUTERS/Tiksa Negeri - RTSP9JF

Historicamente a infraestrutura de um país é a fundação sobre a qual se sustenta a sua a soberania econômica, e poucos projetos no século XXI ilustram essa máxima com tanta clareza quanto a Ferrovia Etiópia-Djibuti (também conhecida como linha Adis Abeba-Djibuti). Oficialmente inaugurada em 2018 e agora consolidada em uma nova fase operacional em 2026, esta obra não é apenas um grande feito da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative – BRI) da China em solo africano. Com mais de 750 km de extensão, a ferrovia conecta a capital etíope ao porto estratégico de Djibuti, transformando radicalmente a logística do país.

A importância da ferrovia para o desenvolvimento da Etiópia é inquestionável. Antes de sua implementação, o transporte de mercadorias entre o porto e o coração do país dependia inteiramente de rodovias saturadas, levando até três dias para ser concluído. Hoje, esse tempo foi reduzido para menos de 20 horas. Como a Etiópia não possui saída para o mar, a linha tornou-se o “cordão umbilical” do país, sendo responsável por movimentar mais de 90% de seu comércio internacional. A substituição da antiga bitola métrica colonial de 1917 pela tecnologia de bitola padrão eletrificada chinesa simboliza a transição de um passado de limitações para um futuro de integração global.

O papel da China através da Nova Rota da Seda (Belt And Road Initiative – BRI) foi fundamental para que este projeto saísse do papel. Financiada e construída por empresas estatais chinesas, como a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC), a ferrovia foi concebida sob o modelo de cooperação “ganha-ganha”. Mais do que apenas fornecer o capital, a China transferiu tecnologia e conhecimento. Um marco dessa relação ocorreu em maio de 2024, quando a gestão da ferrovia foi oficialmente entregue aos governos locais após seis anos de operação chinesa, demonstrando um compromisso com a autonomia africana e a sustentabilidade do projeto a longo prazo.

(Foto tirada no dia 10 de maio de 2024 mostra trem na Estação Ferroviária de Lebu, em Adis Abeba, Etiópia. (Xinhua/Liu Fangqiang)

Em 2026, observamos o amadurecimento desta visão estratégica. A recente expansão para conectar a ferrovia diretamente ao Porto de Doraleh e ao terminal de óleo da Horizon Djibouti Terminals Limited evidencia que a BRI não é um projeto estático, mas um ecossistema em evolução. A meta de triplicar a capacidade de carga para 6,2 milhões de toneladas até 2027 coloca a Etiópia em uma nova categoria de competitividade industrial, atraindo investimentos estrangeiros para seus parques industriais que agora contam com uma logística de classe mundial.

Para os observadores do Grupo Brachi, o caso da ferrovia Etiópia-Djibuti serve como um estudo de caso valioso sobre como a Iniciativa Cinturão e Rota atua como catalisadora de desenvolvimento. Ao preencher lacunas de infraestrutura que eram negligenciadas por décadas, a China não apenas expande sua influência geopolítica, mas oferece as ferramentas necessárias para que nações parceiras alcancem novos patamares de crescimento econômico e estabilidade regional. A ferrovia é, portanto, o trilho por onde corre o futuro da integração sino-africana.

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