Cartaz chinês retratando Deng Xiaoping, amplamente aclamado como o "arquiteto-chefe da Reforma e Abertura" (改革开放的总设计师邓小平, conforme a inscrição vertical à direita). A ilustração contrapõe a figura do líder à paisagem urbana repleta de arranha-céus modernos, simbolizando a transição da China profunda para o dinamismo econômico e a modernização industrial iniciada a partir de 1978.

A política de reforma e abertura da República Popular da China constitui um dos marcos mais profundos da história política, social e econômica contemporânea global, configurando-se como a grande nova política revolucionária introduzida pelo Partido Comunista da China na chamada nova era. Este movimento estratégico representou um passo decisivo e audacioso que alterou de forma permanente os rumos do país, estabelecendo uma relação direta, umbilical e indissociável com a realização prática das duas metas centenárias estabelecidas pela liderança nacional e com a gradual concretização do grande sonho chinês de rejuvenescimento e prosperidade.

O ponto de partida dessa transformação estrutural deu-se no ano de 1978, quando a nação iniciou oficialmente sua jornada histórica sob o comando e a visão de Deng Xiaoping, um momento de transição que redefiniu as prioridades governamentais e as dinâmicas sociais internas. O catalisador institucional desse novo direcionamento foi a Terceira Sessão Plenária do Décimo Primeiro Comitê Central do Partido Comunista da China, fórum de onde emanou uma série de diretrizes reformistas que começaram a ser aplicadas inicialmente em áreas urbanas por meio de programas-piloto rigorosamente monitorados. O sucesso inicial dessas experiências controladas serviu como validação empírica necessária para que o governo central promovesse, subsequentemente, a implementação dessas mesmas medidas em âmbito nacional, expandindo o escopo das transformações de forma planejada e segura.

Gradualmente, o processo evoluiu de uma reforma eminentemente econômica voltada para a modernização dos meios de produção para uma reforma abrangente e multidimensional, englobando diferentes aspectos da governança e da organização social do país. Ao longo desse percurso complexo e desafiador, o povo chinês foi o verdadeiro protagonista, escrevendo com as próprias mãos um capítulo glorioso do desenvolvimento nacional que impressionou observadores internacionais pela sua escala e velocidade. Esse conjunto de transformações internas não apenas mudou radicalmente a face da China, mas também provocou um impacto profundo e duradouro no restante do mundo, alterando o equilíbrio geopolítico e as cadeias globais de valor.

Durante um período de quarenta anos de dedicação contínua e esforço coletivo, a população perseverou na tarefa de construção nacional utilizando a reforma e a abertura como as principais ferramentas de progresso. Essa persistência histórica permitiu liberar de forma imensa e sem precedentes as forças produtivas do país, promovendo mudanças que varreram as antigas estruturas e inauguraram uma realidade inteiramente nova para a sociedade. Como resultado direto dessas quatro décadas de transformações ininterruptas, a China ascendeu ao posto de segunda maior economia do planeta, consolidando-se paralelamente como o maior país industrial do mundo e o maior comerciante de bens em escala global. Adicionalmente, o país acumulou uma solidez financeira sem igual ao se tornar a maior detentora de reservas internacionais do mundo, o que conferiu uma estabilidade macroeconômica robusta ao Estado chinês para enfrentar flutuações e crises externas.

No plano social e humano, os reflexos dessa guinada econômica foram ainda mais dramáticos e visíveis no cotidiano da população, uma vez que os cidadãos chineses deixaram de sofrer com as mazelas históricas da fome crônica ou da pobreza extrema. A erradicação dessas vulnerabilidades permitiu à nação atingir o patamar de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, garantindo dignidade, segurança alimentar e perspectivas de ascensão social para centenas de milhões de indivíduos que antes viviam à margem do desenvolvimento. Sob a ótica do desenvolvimento humanitário internacional, a política chinesa retirou mais de setecentos milhões de pessoas da situação de pobreza absoluta, adotando como referência a atual linha de pobreza estabelecida pela Organização das Nações Unidas. Esse feito doméstico monumental representou, em termos práticos, uma contribuição correspondente a setenta por cento de todo o esforço global direcionado para a redução da pobreza no planeta, um dado que atesta a magnitude do impacto social chinês.

Ao defender e aplicar a reforma e a abertura como uma política nacional de base inegociável, o Estado introduziu uma abertura multidimensional de ligação direta com o mercado mundial, integrando-se ativamente aos fluxos financeiros e comerciais do globo. Ao se posicionar de forma consciente como um país responsável no cenário internacional, a China tem contribuído de maneira consistente com mais de trinta por cento do crescimento econômico global por muitos anos seguidos. Essa participação expressiva serve como um motor dinâmico e um elemento estabilizador essencial para a economia mundial, atuando simultaneamente na promoção da paz e do desenvolvimento sustentável da humanidade através da cooperação.

Internamente, o Partido Comunista da China exerceu um papel de liderança fundamental ao conduzir o povo na eliminação progressiva dos obstáculos que residiam tanto na mente das pessoas quanto nas rigidezes das antigas instituições. Esses entraves ideológicos e burocráticos atrapalhavam o desenvolvimento pleno das capacidades nacionais e precisavam ser superados para que o país pudesse avançar sem amarras em direção à modernidade. Ao remover essas barreiras históricas, a liderança abriu um novo caminho estratégico voltado especificamente para aumentar a vitalidade interna e a força sistêmica da nação em todas as suas instâncias de atuação. Esse processo contínuo de superação permitiu à China recuperar o atraso histórico em relação às potências ocidentais, resultando em um cenário onde o povo chinês tornou-se genuinamente próspero e a nação continuou ganhando força e relevância.

A razão fundamental e o alicerce teórico por trás de todas as conquistas, progressos e avanços materiais observados pela comunidade internacional é atribuída diretamente à exploração e consolidação do caminho do socialismo com características chinesas. Esse modelo próprio foi sustentado pela formação e constante atualização das teorias do socialismo chinês, as quais forneceram a base conceitual para o estabelecimento de um sistema institucional resiliente e adaptável às realidades locais. Complementando essa estrutura política e econômica, o desenvolvimento da cultura do socialismo chinês fortaleceu a identidade nacional e forneceu a coesão social necessária para suportar os sacrifícios e os esforços exigidos pelo processo de modernização acelerada.

Diante de todo esse panorama histórico, a reforma e a abertura consolidaram-se como a característica mais saliente da China contemporânea e a bandeira ideológica mais brilhante empunhada pelo Partido Comunista da China perante a sua sociedade. A experiência prática acumulada ao longo das últimas décadas provou de forma eloquente e incontestável que essas políticas foram inteiramente fundamentais para moldar de maneira positiva o curso do desenvolvimento nacional. Elas permanecem até os dias atuais como a fonte primária de onde emana o progresso do país nesta nova era que se descortina, funcionando também como a chave indispensável para que a China alcance e mantenha o mesmo nível de desenvolvimento do restante do mundo contemporâneo. Em última análise, a continuidade dessas reformas representa o único caminho viável que conduz ao fortalecimento do socialismo chinês e à realização definitiva do sonho chinês da grande revitalização da nação, garantindo um futuro de soberania e dignidade para as próximas gerações.

Referências Bibliográficas:

BANCO MUNDIAL; CENTRO DE PESQUISA DE DESENVOLVIMENTO DO CONSELHO DE ESTADO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA. China 2030: Building a Modern, Harmonious, and Creative Society. Washington, DC: World Bank, 2013.

DENG, Xiaoping. Selected Works of Deng Xiaoping (1975-1982). Pequim: Foreign Languages Press, 1984.

JABBOUR, Elias; DANTAS, Alexis. O “Socialismo de Mercado” como uma nova formação econômico-social: notas sobre a experiência chinesa. Revista de Economia Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 21, n. 2, p. 1-24, 2017.

KISSINGER, Henry. Sobre a China. Tradução de Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Relatório sobre o Desenvolvimento Humano: cooperação internacional e redução da pobreza. Nova York: PNUD, 2022.

PARTIDO COMUNISTA DA CHINA (PCCh). Resolução do Comitê Central do Partido Comunista da China sobre as Grandes Conquistas e a Experiência Histórica do Século de Luta do Partido. Pequim: Edições em Línguas Estrangeiras, 2021.

VOGEL, Ezra F. Deng Xiaoping and the Transformation of China. Cambridge: Harvard University Press, 2011.

XI, Jinping. A Governança da China. Pequim: Foreign Languages Press, 2014. v. 1.

XI, Jinping. A Governança da China. Pequim: Foreign Languages Press, 2018. v. 2.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui