A Economia Real como Categoria Estratégica na Visão de Xi Jinping
O artigo publicado pelo presidente Xi Jinping, que compila suas diretrizes estratégicas emitidas entre 2016 e 2025, tem muito a nos dizer sobre a natureza e o futuro do desenvolvimento da economia mundial. A partir desse documento essencial, a visão da liderança chinesa emerge com clareza ao consagrar a economia real como uma categoria analítica e política em si, posicionando-a como o alicerce fundamental para a soberania, a estabilidade social e o desenvolvimento de alta qualidade do pais.
Longe de ser apenas um setor produtivo comum, a economia real é tratada pelo Partido Comunista Chinês como a própria base material e tecnológica sobre a qual se ergue a modernização ao estilo chinês e a segurança nacional diante de um cenário internacional volátil.
A liderança chinesa rejeita veementemente o modelo de desenvolvimento focado excessivamente na economia virtual e na especulação financeira, alertando que o descolamento das finanças em relação à produção de bens tangíveis gera riscos sistêmicos graves, transformando o capital em uma estrutura sem raízes.
Para uma nação de mais de 1,3 bilhão de habitantes, garantir o suprimento das necessidades básicas — como alimentação, vestuário, moradia e transporte — é uma missão de autossuficiência que nenhum outro país do mundo teria capacidade de prover, tornando a economia real um imperativo geopolítico incontornável.
Nesse contexto, o fortalecimento da indústria manufatureira surge como o coração da economia real e o suporte crucial para a construção de vantagens estratégicas de longo prazo.
A China assume o compromisso de combater o declínio precoce da participação industrial no Produto Interno Bruto, orientando recursos, políticas públicas e força de trabalho qualificada para o chão de fábrica, enquanto fomenta uma atmosfera social que valoriza o trabalho árduo e o empreendedorismo industrial.
Essa abordagem não significa um apego nostálgico ao passado, mas sim uma transição coordenada da quantidade para a qualidade, materializada no conceito de nova industrialização.
A estratégia chinesa integra profundamente a economia digital e as tecnologias de fronteira — como a inteligência artificial, do big data e a internet das coisas — à manufatura avançada, utilizando a digitalização não como um fim em si mesmo, mas como um mecanismo multiplicador da produtividade fabril tradicional e de setores emergentes.
Com o avanço em direção ao 15º Plano Quinquenal, o planejamento econômico chinês eleva o desenvolvimento de novas forças produtivas a uma posição ainda mais proeminente, ancorando a inovação científica e tecnológica diretamente no tecido produtivo real.
Os planejadores chineses projetam a construção de uma potência manufatureira, aeroespacial, de transportes e cibernética por meio da busca obstinada pela autossuficiência tecnológica de alto nível e pela independência das cadeias de suprimentos estratégicas.
Essa engrenagem é sustentada por uma simbiose entre o investimento em bens materiais e o investimento em pessoas, promovendo a acumulação coordenada de capital técnico e humano por meio da integração entre educação, ciência e trabalho.
Diante das pressões, sanções e reconfigurações geopolíticas globais, a China reafirma que otimizar e expandir a economia real é a única forma de mitigar vulnerabilidades externas. Ao blindar seu sistema produtivo contra as ilusões da volatilidade financeira pura, a nação assegura uma base econômica tangível, independente e competitiva, capaz de sustentar de forma duradoura o seu rejuvenescimento nacional.

