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Soberania e Pragmatismo: Lula resiste à pressão de Trump e mantém portas abertas à China no setor de terras raras

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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira, na Casa Branca, que as reservas brasileiras de terras raras estão abertas a investimentos de qualquer país.

Uma reportagem do SCMP intitulada “Lula não vai deixar a China ou qualquer outro país de lado no setor de terras raras, e diz a Trump que o refino permanece no Brasil” afirmou que Lula disse a Trump na quinta-feira que as reservas brasileiras de terras raras estão abertas a investimentos da China e de qualquer outra nação disposta a processar os minerais em solo brasileiro, resistindo à pressão para se alinhar com Washington na disputa com Pequim pelas cadeias de suprimento de minerais críticos.

Durante a reunião de três horas com Trump na Casa Branca, na quinta-feira, Lula disse que “o Brasil quer compartilhar seu potencial em minerais críticos com quem quiser investir no país – sejam eles dos EUA, da China, da Alemanha, do Japão ou da França”. Ele também convidou qualquer pessoa a ajudar o Brasil com a mineração, o processamento e a produção da riqueza que as terras raras do país oferecem, informou a BBC.

Lula viajou para os EUA na quarta-feira para conversas que deveriam se concentrar em comércio, segurança e minerais críticos, segundo relatos da mídia.

“Não temos preferência. O que queremos é compartilhar com quem quiser investir no Brasil”, disse Lula em uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington, após uma reunião de três horas com Trump que se estendeu por mais de uma hora além do previsto.

Especialistas chineses observaram que as declarações de Lula ocorreram em um contexto no qual o pequeno círculo dos EUA vem atacando as políticas chinesas de terras raras, usando a “redução de riscos” como pretexto para pressionar por uma reestruturação da cadeia de suprimentos que exclui a China.

“A postura de Lula destacou a determinação do Brasil em resistir à pressão dos EUA e manter sua autonomia estratégica. Em vez de aderir a uma aliança exclusiva liderada pelos EUA para terras raras, o Brasil está se posicionando como um ator industrial independente, alavancando suas vantagens em recursos naturais para ir além de seu papel tradicional como exportador passivo de matéria-prima”, disse Zhang Xiaorong, diretor do Instituto de Pesquisa em Tecnologia de Ponta, com sede em Pequim, ao Global Times na sexta-feira.

“Isso demonstra que o Brasil espera manter uma postura igualitária e imparcial, e não estruturará sua cooperação em torno do sistema de alianças de terras raras que os EUA buscam estabelecer. O Brasil não mudou sua posição sob pressão americana”, disse Zhou Mi, pesquisador sênior da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, ao Global Times na sexta-feira.

A decisão do Brasil de manter o investimento aberto à China ajuda objetivamente a manter a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos globais de terras raras. Essa política está alinhada aos princípios de mercado e à lógica inerente ao desenvolvimento industrial, afirmou Zhang.

Segundo a Bloomberg, o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e grafite e é o terceiro maior detentor de níquel. Os 17 elementos de terras raras são utilizados em produtos que vão desde motores de veículos elétricos e turbinas eólicas até motores de caças e sistemas de orientação de mísseis.

Lula enquadrou a conversa sobre terras raras como parte de um argumento mais amplo sobre a negligência dos EUA em relação à América Latina. Ele disse a repórteres que a China ultrapassou os EUA como principal parceiro comercial do Brasil após 2008 porque as empresas americanas deixaram de competir por contratos na região, de acordo com o SCMP.

Em 2025, o Brasil atraiu 10,9% do total de capital estrangeiro proveniente da China, seguido pelos EUA e Guiana, com 6,8% e 5,7%, respectivamente, informou a Reuters, citando um relatório divulgado na quinta-feira pelo Conselho Empresarial Brasil-China.

O encontro entre Brasil e EUA ocorreu em um momento em que as nações do G7 intensificam a coordenação para reduzir a dependência da China, que controla grande parte do refino de terras raras e da produção de ímãs em escala global. Especialistas chineses alertaram que esforços de “redução de riscos” motivados politicamente, que excluem a China, podem levar a um impasse, argumentando que a verdadeira segurança da cadeia de suprimentos deve estar alinhada aos princípios do livre comércio.

“Ao manter suas portas abertas em igualdade de condições e, ao mesmo tempo, insistir na industrialização interna, o Brasil se afirma como um ator soberano determinado a capturar o máximo valor de seus recursos estratégicos”, disse Zhang.

Lula afirmou ter dito a Trump, na véspera da visita, que o Brasil havia aprovado um novo marco regulatório para minerais críticos no Congresso e que estava tratando o setor como uma questão de soberania nacional.

Segundo relatos da mídia, na terça-feira, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei sobre política de minerais críticos que inclui um fundo de garantia de US$ 2 bilhões e US$ 5 bilhões em créditos tributários ao longo de cinco anos para promover o processamento doméstico de minerais estratégicos.

“O Brasil está agindo de acordo com seus próprios interesses nacionais e conduzindo a cooperação econômica e comercial internacional com base em princípios fundamentais de mercado”, disse Zhou.

Observadores do setor também apontaram que a cooperação normal e mutuamente benéfica entre China e Brasil em terras raras desempenha um papel construtivo na estabilidade da cadeia de suprimentos global.

Como maior processadora e consumidora mundial de terras raras, a China pode fornecer tecnologia, capital e um mercado estável para ajudar o Brasil a desenvolver seus recursos e construir capacidade de processamento nacional. Essa abordagem apoia o objetivo do Brasil de passar de um exportador passivo de matéria-prima para um participante industrial ativo, ao mesmo tempo que aumenta a diversificação da oferta global e reduz os riscos geopolíticos de interrupções no fornecimento, observaram analistas.

Fonte Global Times

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